Como funciona a feed de notícias do Facebook?

Como funciona a feed de notícias do Facebook?

Como funciona a feed de notícias do Facebook?

Como funciona a feed de notícias do Facebook? 620 350 Bruno Brito

Há 11 anos atrás, nasceu o Facebook. A maior rede social do mundo, que é também o 2º site mais popular do mundo, conta com mais de 9 mil empregados, 1.39 biliões de utilizadores activos e é visitada frequentemente por metade da população portuguesa.

E onde há pessoas, há marcas – pelo que não é de admirar que todas as grandes marcas façam questão de marcar presença nesta rede.

Mas ter um perfil não chega – quando vamos ao Facebook, não visitamos o perfil de todos os nossos amigos. Acedemos, isso sim, à página principal, que apresenta a popular feed de notícias.

Estima-se que os utilizadores passam uma boa parte do seu tempo (cerca de 40%) nesta área do site e apenas 12% nas páginas das marcas ou dos amigos.

A primeira conclusão é simples: para sermos realmente vistos, temos de surgir na feed de notícias do Facebook.

Mas cada conteúdo que publicamos vai competir com dezenas ou centenas de outras partilhas de pessoas ou marcas.

Como podemos aumentar as hipóteses de repararem em nós?

Para tal, teremos de entender o EdgeRank – o algoritmo do Facebook que determina o que surge na feed de notícias.

Como tantos outros algoritmos, o EdgeRank está em constante evolução. Tudo que é referido neste artigo é actual, mas poderá vir a sofrer alterações.

O que é o EdgeRank?

Mark Zuckerberg, o CEO do Facebook, já nos deu a conhecer a sua visão para o projecto: que o Facebook se torne o “jornal perfeito”, com conteúdos personalizados para todas as pessoas do mundo.

Mas tal não é fácil quando, todos os dias, marcas e pessoas colocam novos vídeos, fotografias, links ou pensamentos.

2.5 milhões de conteúdos são partilhados no Facebook por minuto. O Facebook estima que em cada nova visita, há 1.500 novos conteúdos para visualizar para um utilizador normal.

Mesmo se só tivermos 300 amigos e seguirmos 100 marcas, há entidades que queremos acompanhar mais de perto do que outras. Precisamos, portanto, de um mediador.

Seria excelente se os nossos conteúdos fossem sempre vistos por 100% dos nossos fãs (ou amigos), mas a realidade é bem diferente.

Prova disso é um pequeno estudo realizado por Tim Herrera do jornal Washington Post, que concluiu que a maior parte dos conteúdos publicados são na realidade ocultados dos utilizadores.

Como é que o Facebook “adivinha” que conteúdos são mais importantes? Como é que os prioritiza?

É aqui que entra em acção o EdgeRank. Sempre que acedemos ao Facebook, o EdgeRank organiza o que foi colocado e o que ainda não foi visto, distribuindo o que de mais importante aconteceu (e não foi lido) enquanto estivemos fora da rede social.

O nosso tempo é limitado e o Facebook tem todo o interesse em trazer-nos as melhores notícias, para garantir a nossa satisfação e o nosso regresso ao site. Se os conteúdos apresentados não fossem úteis para nós, rapidamente abandonaríamos a plataforma.

Facebook - Uma Lógica Simples

Como funciona o EdgeRank?

A “fórmula” deste algoritmo tem em conta 3 variáveis. São elas:

A Afinidade

A relação que estabelecemos com as marcas e pessoas da nossa feed. Se é frequente comentarmos, partilharmos ou fazermos like aos conteúdos que determinada entidade partilha, maior é o nosso interesse por esse tipo de conteúdos – logo a probabilidade de os continuarmos a receber aumenta.

E como as relações são dinâmicas, o Facebook implementou em 2013 o Last Actor, que controla continuamente as nossas últimas 50 interacções, para prever que tipos de conteúdos futuros deveremos estar mais interessados em receber.

O Peso

O tipo de conteúdo partilhado é também importante. De uma forma geral, o Facebook dá prioridade a fotos e vídeos, ficando para depois os links e, por fim, os textos.

Porém, tal não garante que um vídeo ou uma imagem surja no topo da feed, pois se um texto tiver muitos likes e comentários, ganhará prioridade face a uma imagem ou um vídeo com pouco buzz associado.

O Tempo

O tempo que a publicação já leva é também crítico para o algoritmo. Se o conteúdo já levar algum tempo, perderá prioridade face a conteúdos mais recentes.

No entanto, tal não significa que deixará de surgir se se tratar de uma pessoa ou página relevante para o utilizador – para garantir que a relevância é mais importante que o tempo, o Facebook implementou o Story Bumping.

O EdgeRank do Facebook

Podemos assim concluir que apesar da importância do tipo de conteúdo partilhado e da data de publicação, o mais importante será o número de interacções que recebe – quantas mais pessoas reagirem ao que partilhamos, maiores serão as nossas chances de que o conteúdo se espalhe e de voltar a surgir nas feeds dessas mesmas pessoas de futuro.

O que o Facebook valoriza

Tendo em conta os 3 factores do EdgeRank, podemos concluir que tipo de conteúdos terão maior probabilidade de surgir no topo da feed do nosso target.

#1: Publicações com muitos comentários e likes

Como vimos em cima, é seguro afirmar que conteúdos populares terão maior propagação, especialmente se acumularem um invulgar número de likes e comentários num curto espaço de tempo.

Isto explica porque é que somos informados pelo Facebook quando aquele nosso amigo conhecido (com quem raramente interagimos) se vai casar, passou num exame ou teve um filho (assumindo, claro, que foram publicações com bastante interacção).

#2: Publicações com um tipo de conteúdo que os utilizadores preferem

Verificámos que o EdgeRank avalia se o conteúdo partilhado é um vídeo, uma imagem, um link ou um texto.

O Facebook já afirmou que os conteúdos visuais levam a mais interacções, pelo que não será de admirar que favoreça vídeos ou imagens. O tempo passado nos vídeos e o número de cliques também são analisados e são factores que entram em consideração para a propagação.

Também já foi confirmado pela empresa norte-americana que, pelo menos no que toca a páginas, publicações de texto não serão tão favorecidas.

Ainda assim, tudo depende dos tipos de conteúdos que o utilizador mais valorizasegundo o próprio Facebook, pessoas que gostem de ver vídeos receberão mais conteúdos desse género, mas o contrário será também verdade.

#3: Publicações que mencionam outras páginas ou que exploram tópicos populares

Se as nossas publicações mencionarem outras páginas (através dos tags) ou se aproveitarmos os trending topics, teremos boas hipóteses de chegar a novas audiências.

Quando existe um grande acontecimento (como por exemplo a final do Campeonato Mundial de Futebol), ou quando muita gente está a falar sobre o mesmo assunto, o Facebook tende a agrupar conteúdos similares, como acontece aqui:

Facebook - Trending Headline
O mesmo sucede quando recebemos conteúdos de páginas que, apesar de não acompanharmos, mencionam outras páginas que gostamos:

Facebook - Randy Orton mentioned
E, por fim, se várias pessoas partilharem o mesmo link, também haverá uma maior probabilidade de recebermos esse conteúdo, como numa situação deste género:

Facebook - several posted about this

#4: Publicações que registaram interacções de amigos nossos

Se o conteúdo foi relevante para os nossos amigos mais chegados, então provavelmente será algo que nos interessa também a nós, certo?

Pelo menos, é isso que o Facebook acha.

Por esse motivo, se um amigo nosso participar, ocasionalmente encontraremos na nossa feed publicações de amigos que não conhecemos ou conversas de grupos a que não pertencemos.

O que o Facebook penaliza

Analisado o que a rede social favorece, vamos então conhecer o que nos pode prejudicar.

#1: Publicações que recorrem a “truques” para cliques ou likes (click-baiting ou like-baiting)

Tal como eu, o Facebook não gosta do click-baiting. Textos como “não vais acreditar no que ele fez a seguir” poderão ser penalizados pela rede social.

Facebook click baiting

No mesmo comunicado, o Facebook indicou ainda que penalizará quem colocar imagens com links na descrição, em vez de recorrer a links directamente – como acontece neste exemplo:

Partilha de links no Facebook - Certo e Errado

Por fim, o Facebook penaliza o like-baiting – todas aquelas publicações que pedincham por um like, uma partilha ou um comentário.

Facebook like baiting

#2: Publicações que o Facebook interpreta como memes

Um meme consiste numa imagem com texto sobreposto. Algo deste género:

Toy Story meme

Olhando para este artigo, podemos constatar que o Facebook não considera um meme uma “publicação de qualidade”.

Apesar de tal não impedir que o meme possa ser um sucesso, é necessário ter alguma prudência com este tipo de conteúdo.

#3: Publicações de cariz comercial/promocional que repetidamente incentivam a uma acção

O Facebook sabe que uma publicação que repetidamente pede para instalar uma aplicação, visitar uma página, entrar num passatempo ou comprar um produto traz pouco valor aos utilizadores.

Por esse motivo, devemos alternar esse tipo de conteúdos com outros mais relevantes para a comunidade – quanto mais agressivo o nosso push, pior.

#4: Publicações com links para spam ou que são denunciadas pelos utilizadores

Como já se percebeu, o Facebook está muito atento ao feedback dos utilizadores e não tolera o spam – se um link partilhado for várias vezes denunciado como spam, ou se o mesmo já pertencer à “lista negra” da rede social, naturalmente não será divulgado ou mesmo ocultado.

Conclusão

A grande conclusão acaba por ser similar à deste artigodeve-se sempre pensar nas pessoas primeiro.

Apesar das várias nuances do EdgeRank aqui relatadas, uma boa dose de bom senso é 80% do que precisamos para explorar devidamente a plataforma de Mark Zuckerberg.

Da mesma forma que o Google valoriza páginas com bons conteúdos para os utilizadores, também o Facebook valoriza publicações que sejam interessantes e úteis para os seus membros.

O objectivo dos algoritmos nestes sistemas é sempre o de filtrar toda a informação existente e ordená-la por grau de relevância para o utilizador – portanto, independentemente das futuras alterações que o EdgeRank venha a receber, se pensarmos no utilizador primeiro e se cumprirmos estes mandamentos, certamente qualquer algoritmo nos compensará.

Se quiser entrar em contacto comigo, pode enviar-me um e-mail para [email protected] ou preencher o formulário abaixo.

NOTA: Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Como funciona a feed de notícias do Facebook?

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