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Bruno Brito

Gmail, Outlook, Sapo, ZON e Yahoo Mail

7 motivos para não subestimar o E-mail

7 motivos para não subestimar o E-mail 620 350 Bruno Brito

No que toca ao Marketing Online, muito pode ser escrito sobre o Facebook. Ou sobre o Twitter. Ou sobre o Pinterest, o Snapchat, o Tumblr, ou o Instagram.

Sempre que sai uma nova plataforma, os profissionais de Marketing não perdem tempo. Correm para o botão Sign-Up, ansiosos por fazer parte da nova tendência e entenderem o mais rapidamente possível como a podem explorar para seu benefício (o tal hacking que já mencionei aqui).

A cada nova rede social, o hype segue-se quase de imediato. O Techcrunch publica um artigo. O Mashable vai logo a seguir. “Esta será a rede social a ter em conta este ano”, dizem.

Surgem rapidamente as questões do costume, em especial esta:

É desta que o meu negócio vai crescer 700%?

Por algum motivo, há muita esperança depositada nas redes sociais. Muita gente acredita que uma nova plataforma é a solução para que as receitas do seu negócio disparem. Uma plataforma trendy que está agora a começar e que, se formos rápidos, dominaremos o mundo.

Todas as semanas, novos serviços com uma componente social são lançados. Alguns de nicho, outros mais abrangentes. Alguns sobrevivem o teste do tempo e até são vendidos por números astronómicos, como aconteceu no caso do Instagram ou, mais recentemente, o WhatsApp.

Nos últimos 5 anos só se fala de Social Media. Com todo o hype e num mundo tão social, é frequente subestimarmos a plataforma que está cá desde sempre: o e-mail.

As pessoas parecem ter uma relação de amor-ódio face ao e-mail. Para alguns, é a primeira aplicação que abrem no seu smartphone quando acordem. Para outros, é algo que só utilizam para recuperar uma password.

O utilizador comum pode encarar o e-mail como bem entender – no entanto, acredito que os profissionais de Marketing Online nunca o devem subestimar.

Porquê? Porque nos dias que correm, ainda é a melhor forma de chegar às pessoas.

Não estás convencido? Aqui ficam alguns dos meus argumentos.

#1: Um endereço de e-mail todos têm

Criar uma conta no Twitter ou no Facebook é muito fácil. Só precisas de dar o nome, escolher uma password e… dar o teu e-mail!

O Facebook já tem mais de 1 bilião de utilizadores e isso é um número verdadeiramente impressionante, considerando os 10 anos da empresa. Mas nem toda a gente tem Facebook, enquanto que todos têm um e-mail.

O e-mail é, ainda nos dias de hoje, o símbolo mais baixo de sofisticação e tecnologia – no entanto, as pessoas ainda o utilizam diariamente, independentemente de ser sexy ou cool.

#2: A esperança média de vida das redes sociais é curta

Lembras-te do Myspace? Do Orkut? Do hi5? Do Friendster? Todas estas redes foram populares durante uma altura – algumas MUITO populares – mas agora ninguém se lembra delas.

O mesmo poderá ser dito, um dia, quanto ao Facebook – até porque já não é considerada uma rede apelativa para os adolescentes. Pessoalmente, acredito que levará anos até à “morte” do Facebook, mas é possível que daqui a 10 anos não tenha a mesma imponência que apresenta hoje.

#3: A caixa do correio é mais oportuna que qualquer feed

O Twitter é fantástico – é, aliás, a minha rede social preferida. Mas se quisesse acompanhar tudo o que acontece diariamente nesta plataforma, não faria mais nada. Os tweets surgem em tempo real e se não estivermos lá para ler, o mais provável é passarmos ao lado.

Para o Twitter, o tempo real é tudo. Isto significa que uma marca pode ter 300 mil seguidores, mas cada tweet não chegará a 300 mil pessoas.

Uma forma de garantir que mais pessoas recebem a informação que é relevante é o método do Guy Kawasaki, que tweeta o mesmo conteúdo 4 vezes por dia – é certo que corre o risco de incomodar alguns utilizadores com a duplicação de informação, mas como o próprio guru do Social Media afirmou no LeWeb 2014, “se estiveres lá 24 horas por dia, então não tens vida”.

O Facebook pensou numa forma diferente de apresentar o vasto conteúdo partilhado diariamente – criou um algoritmo, o EdgeRank, que organiza o conteúdo segundo a afinidade de cada utilizador com a pessoa/marca que o partilha.

Se uma pessoa se ausentar do Facebook 1 semana, ao voltar as primeiras coisas que verá na sua feed serão as notícias das pessoas com que interage com frequência (podes saber como a feed funciona neste artigo) – nessa lista, dificilmente estarão todas as marcas que segue.

Com o e-mail, a situação é diferente. A mensagem é recebida e quem gere minimamente a sua inbox vai acabar por vê-la, mesmo que não a abra. Pode não ler a mensagem completa, mas se ler a Subject line já será mais para uma marca do que o resultado no Facebook ou Twitter, pelos motivos acima explicados.

Mesmo com newsletters que não interessem totalmente o utilizador, o mais provável é que ainda dedique 2 ou 3 segundos do seu tempo a abrir e a scanar rapidamente a mensagem, antes de a eliminar.

#4: As redes mudam, o E-mail não

O Facebook está constantemente a mudar as regras do jogo. Sempre que o algoritmo é alterado, algumas marcas saem beneficiadas e outras prejudicadas.

Às vezes o Facebook aumenta o alcance dos posts com imagens, às vezes o reach será maior se partilharmos texto simples. Dependerá do EdgeRank nessa altura.

O EdgeRank do Facebook

O Facebook tem estado muito mais preocupado em monetizar a plataforma desde que se juntou à bolsa e tem prejudicado bastante as mensagens orgânicas das marcas, como podes confirmar por exemplo neste estudo realizado pela [email protected]. A polémica do Facebook não acaba aqui, como o popular vídeo Facebook Fraud nos pode informar.

O E-mail, por outro lado, continua a organizar as mensagens da mesma forma e não há surpresas.

As únicas diferenças significativas dos últimos anos foram implementadas pela Google para o Gmail, ao passar a agrupar as comunicações em pastas (Primary/Social/Promotions/Updates/Forums) e abrir por predefinição as imagens que os e-mails trazem.

#5: Temos controlo sobre o que acontece

O E-mail é óptimo por não nos trazer surpresas. Podemos personalizar a nossa mensagem como bem entendemos, desde o design, passando pelo número de links ou métricas que queremos avaliar. Não há limites de caracteres, de links ou dimensões a ter em conta.

As redes sociais dão-nos alguma informação, como por exemplo (dependendo da rede) o número de cliques, as impressões ou o engagement. São métricas decentes, mas se compararmos com a open rate, a click rate (e quais os links), os bounces ou os unsubscribers que uma ferramenta como o Mailchimp nos providencia, rapidamente nos apercebemos que temos maior noção do impacto das nossas mensagens com este último.

Há muito ruído nas redes. Para triunfar, temos de captar instantaneamente a atenção do utilizador, recorrendo à criatividade e apresentando o conteúdo de forma nativa à plataforma – um post no Facebook é diferente de um post no Tumblr ou de um tweet (ainda assim, poucas marcas respeitam isto).

Temos de conhecer as medidas certas das imagens para cada plataforma, construir o nosso perfil segundo as suas regras e adaptar o copy a todas essas limitações.

As dimensões dos posts no Twitter

Por outro lado, com o e-mail e alguns conhecimentos de design e HTML, alcançaremos uma maior identidade e teremos maior liberdade para surpreender o utilizador.

#6: Dar o e-mail é mais pessoal que um “Like” ou um “Follow”

Todos os dias podemos seguir novas marcas nas nossas redes sociais preferidas. Mas fazer “subscribe” a algo? Isso já merece mais reflexão. A nossa inbox não é para todos!

Isso acontece porque o e-mail é mais pessoal. Por este motivo, ter 100.000 subscribers no e-mail é (para uma marca) um motivo de orgulho bem maior que ter 100.000 likes ou followers.

Um divertido formulário para *sign-up*

Se um utilizador deu o seu e-mail a uma marca, deu basicamente autorização para que a marca o notifique sempre que considerar conveniente. Apesar de tal também ser verdade nas redes sociais, o grau de exigência nestes meios é geralmente inferior (talvez por ser mentalmente mais fácil remover o like ou o follow do que fazer unsubscribe).

#7: O e-mail pode esperar

Às vezes queremos ler uma notícia com calma. Ou responder mais tarde. Com o e-mail, é simples: basta voltar atrás, ou marcar a mensagem como não-lida.

No Social Media, reina o “imediato”. Tal não significa que não possamos regressar ao post mais tarde, mas para tal teremos de memorizar quem partilhou determinado conteúdo ou ter um sistema para ler mais tarde (como o Pocket ou o Instapaper).

Esta noção de controlo agrada a muita gente e reforça a ideia exposta anteriormente: a mensagem tem mais chances de ser lida (e compreendida) via e-mail.

Conclusão

O objectivo deste artigo não é expor as fraquezas das redes sociais ou insinuar que Marketing nas redes sociais é uma perda de tempo.

Cada ferramenta é útil à sua maneira, se adaptarmos a nossa mensagem à plataforma em questão – as redes sociais são excelentes para manter o contacto com a comunidade, para pô-la no centro da conversação e para partilhar pequenos acontecimentos com relativa frequência.

Sem dúvida que têm um lugar no Marketing Online, mas quando chega a hora de converter essa relação em atenção e em vendas, o e-mail não só tem mais chances de converter melhor como merece muito mais respeito.

Fotografia:

Hacking no Marketing

Hacking no Marketing – a nova disciplina?

Hacking no Marketing – a nova disciplina? 1240 700 Bruno Brito

No Marketing Online pedem-nos para sermos hackers todos os dias. Alguns apercebem-se disso, outros não.

Na minha licenciatura de 4 anos na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa, aprendi muita coisa. O programa era ambicioso, sem dúvida: desde a sociologia à estatística, passando pela gestão de produto ou pelo Inglês aplicado ao marketing, falou-se um pouco de tudo.

Tive aulas inesquecíveis que ainda hoje estão bem presentes na minha memória e disciplinas que pura e simplesmente me passaram totalmente ao lado. 4 anos depois, estava finalmente com licença para aprender no mercado de trabalho e descobrir se toda aquela teoria que tinha absorvido se aplicava na prática.

Entrada no escritório

O ingresso no mundo real está cheio de desafios interessantes e é natural que se compare o que se aprendeu com o que se tem de lidar no dia-a-dia depois disso. Descobrimos, por exemplo, que aprender a utilizar o SPSS até parecia importante, mas que alguém se esqueceu de o instalar nos computadores das empresas (pelo menos, das várias pelas quais já passei).

Houve informação que se calhar não era assim tão necessária, mas o objectivo do post não é, de todo, criticar as decisões da minha antiga escola.

O problema? Faltou-me uma disciplina. Uma temática que devia fazer parte de qualquer programa de Marketing e que ainda vai a tempo de passar a ser requisito: o Hacking.

Hacking: a definição

Ao contrário do que muita gente pensa, um hacker não é forçosamente um indivíduo que acede a um computador de forma não-autorizada para roubar um cartão de crédito e comprar uma banda desenhada na Amazon.

Um hacker é qualquer pessoa que esteja disposta a conhecer a fundo um sistema para explorá-lo em sua vantagem.

Basicamente, se quisermos hack the system temos primeiro de o dominar – conhecer o seu algoritmo, entender o que é capaz ou não de fazer – para depois o utilizar para o nosso próprio bem.

Não é estranho que este termo se possa aplicar ao Marketing Online; no fundo, espera-se que este profissional seja o Houdini dos tempos modernos, que garanta que uma empresa chegue a #1 no Google ou tenha o maior número de likes no Facebook.

Para tal, é preciso conhecer a plataforma em questão, sem dúvida. Mas é preciso com essa informação ser-se criativo depois.

Talvez seja por isso que os growth hackers estão agora tão na moda para as start-ups – todas as empresas querem crescer de forma acelerada e estão dispostas a pagar bem para uma pessoa que tenha a criatividade e o conhecimento necessários para tal.

Uma tira sobre Growth Hacking

PageRank, EdgeRank…

O Online nunca pára – por isso é que eu gosto tanto dele. Ontem foi o MySpace, hoje é o Facebook e amanhã será outra coisa qualquer. Enquanto profissionais, estamos constantemente a ser testados, visto que precisamos não só de dominar as plataformas que já utilizamos a fundo como acompanhar as novas tendências.

Um dia temos de decorar os 200 factores que influenciam o algoritmo do Google, noutro temos de saber como contar histórias em 140 caracteres num ambiente super barulhento. E claro, temos de conhecer o EdgeRank do Facebook de cor e salteado.

O EdgeRank do Facebook

O que eu gostava de ter tido na escola não era uma cadeira sobre algoritmos que ainda nem sequer existiam – era alguém que me dissesse que era isso que iam esperar de mim quando chegasse aqui.

Assim, podia-me ter logo mentalizado que o meu trabalho seria basicamente o de um camaleão, alguém que se tem de adaptar rapidamente ao novo contexto e brilhar em cada nova plataforma que surja e traga com ela uma user base.

As boas notícias

Quando o Google decide mudar a sua receita secreta (com um Panda/Penguin/Hummingbird/etc) metade dos negócios online vão abaixo. Quando o Facebook faz experiências no EdgeRank, milhares de posts de páginas não chegam sequer a surgir nas feeds dos utilizadores.

Porque é que estas empresas são obcecadas em fazer este tipo de alterações? Simples – é o segredo para o seu sucesso.

Google: sempre a procurar entregar os melhores resultados

Vamos ao Google porque sabemos que se tivermos uma pergunta, os resultados que ele nos dá têm uma elevadíssima probabilidade de dar a resposta. Vamos ao Facebook porque confiamos que, no meio de tanta informação partilhada diariamente pela nossa rede, a plataforma nos irá apresentar aquilo que é realmente imperdível primeiro.

E isso nem sempre é possível… por causa dos hackers.

A malta que sabe como o algoritmo funciona e que tenta aparecer no topo da lista devido a isso, apesar de ter consciência de que o seu produto não é assim tão bom. A malta que produz conteúdos para máquinas, não para humanos.

No mundo online, é tudo relativamente efémero, daí o hacking ser tão apetecível – mesmo que a popularidade dure pouco tempo, é o expectável nos dias de hoje.

Mas não tem de ser assim. As redes sociais e os motores de pesquisa procuram alcançar a perfeição e, por “perfeição”, entenda-se tornarem-se mais humanos. Menos permeáveis a este tipo de hacking e mais orientados para o que realmente importa para o seu estimado utilizador.

A intenção deles não é ocultar-nos a informação que realmente pretendemos, pelo contrário – só assim continuaremos a visitá-los e a trazer-lhes dinheiro. Menos visitas = Menos anúncios.

Quanto mais perfeitos, mais justiça haverá – e, a longo prazo, serão essas as marcas e empresas a sobreviver.

A bela conclusão

O futuro para quem quer saber das pessoas parece risonho – se criarmos bons conteúdos, se pensarmos na nossa audiência, se procurarmos oferecer-lhes aquilo que é realmente relevante para todos, então estaremos no bom caminho para que o Google, o Facebook ou seja o que for que venha a seguir nos beneficie.

Os vilões, esses, poderão ter os seus 15 minutos de fama, mas rapidamente serão uma nota de rodapé.

Deve-se sempre pensar nas pessoas primeiro. São essas que devemos agradar e tornar o ponto central de toda a nossa estratégia. Não um algoritmo.

Pensando bem, ainda bem que não tive Hacking na escola.

O painel de opções do f.lux

Apresentando o f.lux (e o Lux)

Apresentando o f.lux (e o Lux) 620 350 Bruno Brito

Geek que é geek adora a sua máquina. E esta não tem necessariamente de ter um processador Intel Core i7 ou um disco SSD mais rápido que a luz para o encher de orgulho. Muitas vezes, o que satisfaz um geek é saber que tem as aplicações certas instaladas – aquelas que lhe garantem um alto nível de produtividade – e nem um MB desperdiçado com algo que não interessa.

A partir daí, é raro encontrarmos novas aplicações que nos deixem de boca aberta. De vez em quando, lá encontramos uma extensão que merece ser adicionada à nossa lista de plugins do Chrome ou do Firefox. Ou um novo processador de texto que, por algum motivo, lá conquista o seu espaço em disco.

Mas se tal é raro, como descrever aqueles momentos em que tomamos conhecimento de uma aplicação que nos faz pensar como é que aguentámos até agora sem ela? O que dizer de uma app tão essencial que não sabemos como é que não vem incluída com o sistema operativo? E como é que só agora a descobrimos!?

Hoje vou falar de uma dessas apps: o f.lux.

O que é o f.lux?

Talvez a melhor forma de começar seja explicar o que ela não é. O f.lux não é uma aplicação que gere o brilho do computador. O objectivo do f.lux é regular a temperatura da cor.

A esta altura do campeonato, não vale a pena referir a importância dos computadores ou dos smartphones no nosso dia-a-dia. A maior parte das pessoas olha para os ecrãs durante mais de 10 horas por dia e é sabido que essa exposição prejudica os olhos e até o sono.

Toda a gente sabe que tal não é benéfico para a saúde – não significa que estejamos dispostos a alterar os nossos hábitos.

Uma das soluções não é propriamente aquela que queremos ouvir: manter-nos afastados dos ecrãs, especialmente antes da hora de deitar. Não queremos evitar o tablet à noite e deixar de ler aquele artigo, queremos só minimizar as consequências, certo?

Então está na hora de instalar o f.lux.

O que é isso da “temperatura da cor”?

Este tópico tem muito que se lhe diga e vou deixar as explicações mais técnicas para quem quiser visitar a Wikipedia. Ainda assim, vale a pena uma breve explicação.

A temperatura da cor

Utilizando aqui o gráfico do SeeSmart, podemos verificar que enquanto há luz lá fora, durante o dia, os ecrãs emitem luz (que até tem um brilho azulado) por volta dos 7000K.

Durante o dia, como temos o sol a iluminar-nos, não ficamos com a sensação de estar a fazer um grande esforço ao olhar para o ecrã – isto porque o ecrã está regulado tendo a luz do dia em conta. O pior vem depois.

À medida que o sol se põe, a luz exterior desce consideravelmente. O problema? O computador não se ajusta a esta mudança. É por isso que é tão agressivo olhar para o ecrã à meia-noite, quando o branco nos parece efectivamente azulado.

Como funciona o f.lux

A missão do f.lux é simples. O programa determina a região onde nos encontramos e face a isso ajusta a temperatura da cor do ecrã à hora do dia (e à quantidade de sol envolvente). Se já tiver anoitecido, é normal que a temperatura do ecrã passe dos 6500K para 2700K, para acompanhar a falta de luz exterior. Isto vai resultar num brilho de ecrã bem mais amarelado, em vez de azul (e muito mais confortável para a vista).

Se já estiver de noite, a primeira utilização do f.lux vai garantidamente assustar muita gente.

Vamos ver o nosso ecrã a passar rapidamente do seu estado “habitual” para algo bem mais amarelado. Podemos até pensar que nos estragou o monitor ou a placa gráfica. A verdade é que se resistirmos à tentação de desinstalar o programa devido a este “susto”, depois de uma noite com o f.lux dificilmente voltaremos atrás.

Na verdade, este choque só mostra como andámos a olhar de forma errada para o computador todo este tempo.

Configurando o f.lux

Instalar o programa (e utilizá-lo) é bem mais fácil do que a teoria que referi em cima. Vamos aqui conhecê-lo na sua versão para Mac – versões similares estão também disponíveis para Windows, iOS e Linux.

O ecrã do f.lux

A nova versão beta do f.lux para Mac é tremendamente fácil de utilizar e regista algumas melhorias significativas face à versão anterior. A aplicação não é propriamente “novidade” (já conta com mais de 4 anos) mas esta actualização valeu bem a pena.

Ao abrir a aplicação, teremos de definir a nossa localização, inserindo a cidade ou a latitude e longitude. O f.lux imediatamente indicará há quanto tempo foi o pôr-do-sol, se for caso disso, como a imagem em cima comprova.

A partir daí, só teremos de utilizar as cores recomendadas ou definir a nossa preferência consoante a luz da sala onde nos encontramos. Se for uma vela, será cerca de 1900K. Se for uma lâmpada de halogénio, por volta de 3000K. Fluorescente? 4200K. Quanto menor o valor, mais amarelado o ecrã ficará.

Podemos personalizar ou simplesmente deixar nas definições recomendadas, que são realmente adequadas para a maioria dos casos.

As novas funcionalidades

A nova versão trouxe um par de novas opções bem recebidas pela comunidade. Agora, é possível indicar a hora a que acordamos diariamente, para que o f.lux nos prepare para uma noite descansada alterando a temperatura de cor consoante os nossos horários.

Por exemplo, no meu caso que acordo às 7h45, por volta da 1h da manhã o ecrã tem uma temperatura muito baixa se compararmos com o valor de 3 horas antes – tal é um claro sinal de que “está na hora de ir para a cama”.

O f.lux não se esqueceu dos fins-de-semana, onde é normal as pessoas acordarem mais tarde, criando uma opção “Sleep in on weekends”.

f.lux para Mac

Também é possível suspender o f.lux durante 1 hora, por exemplo para ver uma série, ou por aplicação (por exemplo, para um trabalho em Photoshop em que visualizar as cores é importante).

Conclusão

O f.lux é grátis e este artigo nunca fará justiça à importância de ter esta aplicação instalada no nosso computador.

A teoria pode ser complicada, mas se o instalarmos, definirmos a região e superarmos o choque dos primeiros minutos, o mais provável será nunca mais nos lembrarmos que o estamos a usar – até que o desactivamos e ficamos chocados com a forma como olhámos para ecrãs durante tantos anos (e sobrevivemos)!

Do que estás à espera? Go get it!

O f.lux é grátis para Windows, Mac, Linux e iOS, não havendo qualquer desculpa para não o instalar já.

E para Android?

Para Android o f.lux não está ainda disponível mas uma excelente alternativa é o Lux.

O Lux surge na loja Google Play com 2 versões: a gratuita (Lux Lite) e a paga (€3) (Lux Auto Brightness).

Lux para Android

Ao contrário do f.lux, para além da temperatura da cor o Lux também gere o brilho – este factor torna esta app indispensável para quem tem um telefone Android.

A maior parte dos telemóveis (mesmo os topos de gama) tem uma função de brilho automático terrível, em que muitas vezes o brilho não é suficiente quando está muito sol e é demasiado quando está escuro.

O Lux não só é mais inteligente nessa gestão como não muda de brilho só por virarmos o telemóvel um pouco para cima ou para baixo, que pode ser algo irritante quando estamos (por exemplo) a jogar. O brilho automático é uma funcionalidade apenas disponível na versão paga, mas é consideravelmente melhor comparada com a que vem de origem com um telemóvel Android.

Para além destas vantagens, ainda nos permite baixar o brilho até valores bem mais baixos do que aqueles estabelecidos pelo Android, ideal para poupar bateria. Se quisermos, o Lux escurece o ecrã até um ponto em que não conseguimos ver quase nada!

Calibrar o brilho é uma das principais vantagens do Lux

Na versão paga, o Lux consegue ainda aprender com o utilizador – podemos calibrá-lo de forma a que ele saiba que tipo de brilho queremos em qualquer altura do dia ou espaço físico, com a opção “Link”. Vai bem para além de regular a temperatura do cor, mas são funcionalidades dignas de menção.

Esta aplicação oferece muitas opções de personalização, tornando-a na verdade mais complexa que o f.lux. Se tiveres um Android, ambas são indispensáveis!

Steve Austin no WrestleMania

Conteúdo é Rei – o caso WWE

Conteúdo é Rei – o caso WWE 620 350 Bruno Brito

O caso WWE

Neste segundo case-study com o objectivo de enaltecer o Marketing de Conteúdos, vou falar de uma marca bem especial para mim: a WWE, ou World Wrestling Entertainment.

O que é a WWE?

A WWE é actualmente a marca #1 de Wrestling à escala global. Quando as pessoas pensam em Wrestling, alguns nomes vêm à cabeça: John Cena, Undertaker, Hulk Hogan, The Rock ou “Stone Cold” Steve Austin. Todos eles partilham algo em comum: ficaram conhecidos essencialmente pelo trabalho desenvolvido na WWE, antiga WWF (World Wrestling Federation).

Cada pessoa tem uma ideia diferente sobre o que é o Wrestling e sobre o seu papel na sociedade, mas se há coisa que aprendi nos últimos 20 anos é que poucas são as pessoas que ficam totalmente indiferentes a este espectáculo.

Naturalmente, a “febre” é muito maior nos EUA, México ou Japão do que na Europa, mas mesmo em Portugal existe uma forte comunidade que diariamente discute todas as últimas notícias e eventos relacionados com Wrestling pelo mundo.

Steve Austin no WrestleMania

O propósito deste artigo não é descortinar até que ponto as lutas são combinadas, “se eles se magoam mesmo” ou porque é que todas as semanas as arenas estão cheias de fãs ruidosos. Aqui, cingir-me-ei a enaltecer a WWE enquanto fenómeno de marketing, mais concretamente no que toca a social media e a conteúdos.

Porque é que devo levar a WWE a sério?

Podemos olhar para o que acontece dentro do ringue de forma suspeita, mas fora dele os números e as façanhas recentes da empresa de Stanford deixam pouca margem para dúvida: esta marca sabe o que faz.

Em 2013, a WWE teve uma receita superior a 500 milhões de dólares. O seu CEO, Vince McMahon, tem a sua fortuna avaliada em 1.2 biliões de dólares, segundo a Forbes. A empresa está cotada em bolsa e para além dos mais de 130 lutadores conta ainda com 762 colaboradores.

A sede da WWE, em Stamford

Vamos conhecer um pouco melhor a marca: o que faz e porque é que o faz bem.

Programação

Considerando apenas a programação americana, todas as semanas a WWE apresenta 6 programas originais – cerca de 9 horas ao todo. A marca produz ainda mais 6 programas para outros mercados.

WWE Raw

O seu programa principal, o WWE Raw, é transmitido em directo todas as 2ª feiras e tem actualmente a duração de 3 horas. O Wrestling não tem off-season, ou seja, ao contrário do futebol ou da maior parte das modalidades, não há paragens durante o ano. Isso significa que podemos contar com um novo episódio semana após semana, 52 semanas por ano.

WWE Raw 1000

O Raw começou em Janeiro de 1993 e já conta com mais de 1080 episódios. O episódio 1.000 foi o programa mais visto da TV por Cabo nesse dia, contando com mais de 6 milhões de espectadores. O programa dura há mais tempo do que qualquer outra série de televisão na América, incluindo “Lassie” ou “Gunsmoke”.

Pay-Per-View

Para além dos programas semanais, a WWE apresenta ainda 12 PPVs mensais – Vince McMahon é, na verdade, considerado por muitos o inventor do Pay-per-view e detém inclusive os direitos do site payperview.com.

Os PPVs da WWE geram mais de 5 milhões de aquisições anualmente. Todos os meses são transmitidos em directo em várias partes do globo e o grande espectáculo anual é o WrestleMania.

O evento, que tradicionalmente ocorre no fim de Março/início de Abril, conta já com 29 edições e é para muitos visto como o Superbowl do Wrestling. No dia 6 de Abril acontecerá a 30ª edição, no Mercedes-Benz Superdome de New Orleans.

Wrestlemania XXX

O preço para visionar o evento varia consoante o espectáculo e o país – o WrestleMania 29, com a duração de 4 horas, teve o preço de $59.99 ($69.99 em HD). O evento estabeleceu o recorde de evento com maior receita da história da WWE, chegando aos 72 milhões de dólares.

WWE enquanto marca digital

A WWE há muito que percebeu que a internet era uma tremenda oportunidade. A marca é vista como uma early adopter em tudo o que toca a novas tendências e, à semelhança do que aconteceu no passado com o PPV, não é tímida em tentar inventar ela própria o caminho.

Tout

Exemplo disso é a Tout, uma plataforma de vídeo em que a WWE investiu 5 milhões para promover o seu crescimento. Nesta rede social, em alguns aspectos similar ao YouTube mas restringida a vídeos de 15 segundos, a WWE promove vídeos com as suas personalidades e a audiência é encorajada a responder, também em vídeo.

A WWE no Tout

Apesar de não ser uma plataforma espantosamente popular (e as menções à mesma nos programas televisivos terem caído a pique nos últimos meses) este é um bom exemplo do espírito visionário da empresa.

WWE App

No verão de 2012 a empresa de Vince McMahon lançou a WWE App, uma aplicação para Android e iOS que em pouco tempo se tornou um êxito, contando agora com mais de 10 milhões de downloads.

A WWE App

Para além da app apresentar alguns conteúdo do site, como vídeos, tweets ou artigos, o grande destaque vai para o second screen. Durante o WWE Raw, os fãs da marca podem acompanhar a acção durante os intervalos ou mesmo durante a transmissão, tendo acesso a alguns conteúdos exclusivos.

Aquilo que a RTP introduziu de forma pioneira em Portugal, o 5i, já a empresa de Stanford tem há quase 2 anos.

Prémios

Esta capacidade de se reinventar garantiu à WWE vários prémios, onde destaco as conquistas nas Mashable Awards; entre outras distinções, a marca foi reconhecida como “Digital Company of the Year” e “Must Follow Brand on Social Media” em 2011.

WWE e as redes sociais

Naturalmente, uma marca reconhecida pelo site Mashable como “a” marca a seguir apresenta uma enorme capacidade de criar conteúdo relevante para qualquer plataforma. Sem surpresa, a WWE marca presença em todas as principais redes.

Twitter

Esta é sem dúvida a rede que a marca mais promove e provavelmente aquela que lhe garante maior engagement. A conta @wwe já leva mais de 4 milhões de seguidores, mas a equipa de Social Media gere mais de 100 contas no total.

Algumas chegam a ser mais populares que a conta institucional, como é o caso da maior estrela da actualidade, @JohnCena, que conta com perto de 6 milhões à data deste artigo.

WWE e John Cena no Twitter

O elenco da WWE tem voz activa no Twitter: árbitros, lutadores e até comentadores tweetam com frequência. Algumas contas são totalmente geridas pelos indivíduos, enquanto outras são mantidas pela equipa dos escritórios de Stanford.

Os lutadores são encorajados a tweetar e sabem perfeitamente como utilizar a plataforma para apimentar as rivalidades, provocar novos adversários ou dar justificações aos seus fãs – hashtags incluídas.

Aqui é importante referir que a promoção de eventos ou de merchandise (como t-shirts ou bonés) é completamente secundária; os lutadores passam muito mais tempo a responder a questões dos fãs e a continuar a narrativa desenvolvida nos programas televisivos com os respectivos colegas de profissão.

Por este motivo, um fã de Wrestling e da WWE acaba por seguir tipicamente mais de uma dezena de contas, mais que não seja para não ficar de fora das conversas que um lutador tem directamente com outro.

Os fãs de Wrestling são incrivelmente vocais e, por esse motivo, mergulham totalmente nesta plataforma durante as transmissões dos espectáculos. É frequente a participação nas hashtags e a WWE está semanalmente trending num PPV ou num Raw.

O episódio 1000 do Raw chegou mesmo a bater recordes históricos para o Twitter, com o regresso de Undertaker a obter 11.000 tweets por minuto.

Sempre que há uma transmissão televisiva em directo e um tópico está trending, a WWE exibe-o no canto do ecrã, partilhando os melhores tweets no rodapé.

YouTube

Sem surpresa, esta é uma plataforma importantíssima para a marca, que conta com perto de 3 milhões de subscritores. A WWE poderia limitar-se a colocar alguns momentos dos programas televisivos, mas vai muito mais além disso.

A WWE no YouTube

No canal do YouTube podemos encontrar programas especificamente desenvolvidos para a plataforma, como The JBL & Cole Show, o WWE Inbox (onde as personagens respondem a algumas questões enviadas pelos fãs), o Behind The Match (onde os lutadores falam sobre determinado combate especial) ou assistir a entrevistas exclusivas onde as storylines são, novamente, continuadas.

Antes dos PPVs, é ainda frequente a divulgação de combates completos de anos anteriores e é possível assistir-se ao Kickoff, o pre-show do PPV que dura tipicamente 30 minutos e serve para promover o espectáculo que começa imediatamente depois, com a oferta de um combate “de amostra”.

Facebook

Se John Cena era popular no Twitter, então na rede principal o número de seguidores é cerca de 3 vezes superior – 20 milhões. Também aqui a conta institucional não chega à popularidade do seu lutador mais conhecido, contando com “apenas” 16.

John Cena no Facebook

O número é impressionante, mas só ganha verdadeira justiça com a seguinte afirmação: neste momento, John Cena é o atleta americano com mais fãs no Facebook, superando atletas como Kobe Bryant, LeBron James ou Roger Federer.

Apesar da marca ser naturalmente relevante nesta plataforma, o investimento na promoção da mesma “on camera” não é comparável aos esforços realizados no Twitter. Ainda assim, todos os lutadores têm contas também aqui, sendo esta plataforma usada frequentemente para divulgar artigos do site, vídeos do YouTube e outros links relevantes (por vezes de carácter mais institucional).

O Website

O site oficial americano é totalmente distinto do site localizado para Portugal, trazido pela SAPO, dando um enorme destaque à vida das estrelas. Toda a principal actividade de um dia pode ser encontrada aqui e o conteúdo surge de todos os ângulos.

O WWE.COM

Neste site, que é verdadeiramente um portal para o universo WWE, as secções transbordam de informação. Aqui vou abordar 3 das mais importantes.

Superstars

A secção dedicada ao plantel é particularmente rica, sendo claro um dos principais motivos de visita de um fã. Aqui, para cada lutador é possível encontrar os últimos artigos relacionados, uma playlist de vídeos, a música de entrada, todo o merchandise e o óbvio follow nas várias redes sociais.

Ao visitar a página do seu lutador preferido, qualquer fã ficará rapidamente actualizado de tudo o que a sua WWE Superstar andou a fazer.

Multimédia

O site tem um vasto conteúdo multimédia; fotos e vídeos (restringidos por localização, ao contrário do YouTube) estão em destaque. Todos os espectáculos têm direito a galeria de fotos e os lutadores realizam photoshoots com frequência, pelo que há sempre conteúdos novos.

Mas não é só de imagens que o site vive. Todos os dias há imenso conteúdo para ler: desde entrevistas, passando por artigos de opinião ou press releases, é difícil um fã ficar sem nada para fazer no site da companhia.

A loja

Seria impossível falar do site sem frisar a enorme loja online que a empresa tem. Com promoções frequentes (e newsletters a comunicá-las), na loja pode-se encontrar tudo o que se deseja de qualquer lutador, adquirir DVDs ou Blu-rays de eventos e claro, comprar bilhetes para os próximos espectáculos ou para o PPV do próximo domingo.

O triunfo do conteúdo

Depois do PPV, do second screen e de muitas outras inovações, a WWE deu recentemente mais um grande passo em frente: a 24 de Fevereiro foi lançada, nos EUA, a WWE Network.

É o momento pelo qual milhares de fãs de Wrestling aguardavam: acesso a toda a enorme, vastíssima, biblioteca que a empresa possui.

A WWE Network

A WWE começou por disponibilizar cerca de 1500 horas de programação, organizada de uma forma semelhante ao Netflix. Semanalmente, novos conteúdos serão adicionados e o fã poderá contar com todos os PPVs, Raws e Smackdowns que alguma vez foram transmitidos.

Como se isso não bastasse, estão já a ser filmados programas exclusivos para a Network, como o WWE Countdown ou o Legend’s House. A programação é incrivelmente aliciante. Tudo por $9.99 por mês, com um período de fidelização de 6 meses.

Este comunicado, que decorreu no Consumer Electronics Show, em Janeiro, tornou-se quase bom demais para ser verdade quando a marca saca o coup de grâce e informa que os PPVs serão transmitidos nesta nova plataforma sem custos adicionais, incluindo o WrestleMania (que, como pudemos ver mais acima, sozinho é mais caro do que 6 meses de WWE Network).

Após esse comunicado, muitos fãs de Wrestling já estavam com a carteira aberta, prontos a pagar. Por agora, apenas os EUA estão contemplados mas a WWE já prometeu disponibilizar o produto para outros países, como Canadá ou Reino Unido, no final de 2014.

Para Portugal ou Brasil ainda não há planos. No entanto, podes aceder à Network já, seguindo estes passos.

Será um sucesso?

A $9.99 por mês, a WWE Network é um produto acessível a todas as carteiras e capaz de seduzir qualquer fã de Wrestling sem esforço. Ao dar este passo à frente, a WWE inova novamente, reinventando o conceito de televisão e passando a depender cada vez menos de terceiros.

O grupo de testes da plataforma está deliciado e se a infraestrutura aguentar a carga de utilizadores (algo que nem sempre acontece no streaming de PPVs) sem dúvida que muitos fãs de Wrestling ficarão radiantes.

Estima-se que na semana de lançamento a WWE angariou qualquer coisa como 300 mil assinaturas (números não oficiais). Também é conhecido o valor certo para o break-even: 1 milhão de membros. O WrestleMania será sem dúvida um evento que incentivará muita gente a subscrever mas poderá não ser suficiente – o tempo o dirá.

Dar e receber

Durante décadas, a WWE produziu conteúdos de forma ímpar. No mercado onde actua não tem neste momento concorrência à altura. Tem um produto único, uma comunidade eufórica e uma (vasta) equipa, dentro e fora do ringue, que dá 200% em todas as frentes.

Qualquer fã de Wrestling já passou horas no sofá ou na arena a assistir ao produto – conhece as personagens e mesmo que não goste do produto actual, com a WWE Network poderá sempre voltar atrás no tempo e rever as grandes glórias do passado.

A WWE Network no dia de lançamento

Os programas principais continuarão a dar na televisão. O YouTube continuará a ter imenso conteúdo e o site continuará a trazer novidades todos os dias – mas tal não impediu a WWE de querer dar mais e, neste caso, não precisou praticamente de pedir algo em troca. Os fãs estavam lá.

A WWE receberá $9.99 por mês de qualquer fã digno desse nome, com satisfação e ansiedade, tal é a qualidade de conteúdo que consistentemente lançou cá para fora, semana após semana. Qualquer fã desejará ter acesso a todo ele na sua televisão ou computador à distância de um clique.

A WWE já foi várias vezes ameaçada e encontrou sempre uma forma de ficar por cima, muitas vezes reinventando a forma de fazer negócio. A Network será, muito provavelmente, mais um brilhante exemplo disso.

Fotografia:

Matriz BCG Marketing

7 lições de Marketing que o Wrestling me ensinou

7 lições de Marketing que o Wrestling me ensinou 1240 700 Bruno Brito

Há 15 anos atrás, o Marketing estava longe de dominar a minha vida – existia algum interesse, muito devido aos duelos entre a Sega e a Nintendo, mas o fascínio real só me surgiu bem perto dos 18 anos. Ainda assim, não estava em 1º na minha lista de “profissões a seguir”.

O que queria realmente era tornar-me lutador de Wrestling.

Ao concluir os exames nacionais do 12º ano, o Marketing pareceu-me a opção certa – gostava imenso de marcas e identificava-me com as disciplinas. No entanto, era encarado por mim como uma segunda opção, uma espécie de plano B, não fosse o Wrestling falhar. Nunca se sabe o que pode acontecer quando se segue uma carreira desportiva – podemos nunca ter a oportunidade certa de brilhar, podemos lesionar-nos ou podemos simplesmente perder o interesse. Felizmente, tive na altura o bom senso de terminar pelo menos a licenciatura antes de tentar a minha grande paixão.

Olhando agora para trás, fico muito contente por ter escolhido Marketing – e muito feliz por ter seguido o meu sonho de treinar na melhor escola de Wrestling do mundo, a Storm Wrestling Academy, no Canadá.

O que não contava é que Wrestling e Marketing tivessem tanto em comum.

À primeira vista, esta afirmação pode parecer algo descabida – e provavelmente será difícil alguém entender a 100% o paralelismo, a não ser que pise a alcatifa do escritório à semana e a lona do ringue ao sábado e domingo.

Ainda assim, vale a pena tentar.

Lição #1: A equipa é tudo

Quando voltei do Canadá, em 2007, o panorama nacional de Wrestling não estava muito desenvolvido. Não existia propriamente uma escola, lutadores competentes ou um palco para brilharem.

Por esse motivo, começámos um projecto, o WrestlingPortugal.

O logotipo WP Wrestling Portugal

O WP começou como uma academia de Wrestling aos fins-de-semana que num par de anos formou talento suficiente para realizar alguns espectáculos ao vivo. A marca ganhou forma rapidamente, alcançando destaque nos canais Video On Demand da ZON e da MEO, aparecendo no festival Alive enquanto iniciativa da Optimus e beneficiando até de alguma exposição mediática.

Entre outras responsabilidades no WrestlingPortugal, fui treinador da academia durante 7 anos. Neste departamento, a minha missão era “simples”: formar talento. Por muito bom professor que pudesse ser, o sucesso desta missão não dependeria de mim – foi graças à qualidade dos alunos (e à competição saudável que souberam criar) que se alcançou aquela que será provavelmente a “geração de ouro” durante muitos e bons anos no Wrestling nacional (good job boys!).

De pouco nos serve sermos muito bons se estivermos a remar sozinhos contra a maré; no WP, tive a felicidade de conhecer muita gente fascinante, capaz de desafiar os seus próprios limites e com a motivação necessária para elevar a fasquia semanalmente. Todos os treinos mostravam mais fome e ambição – tornando o meu trabalho bem mais fácil.

Poderia ser o melhor lutador do mundo, mas o WP não seria nada se não tivesse um plantel à altura. O mesmo se pode aplicar, obviamente, a qualquer equipa de Marketing.

Lição #2: Todos têm o seu lugar

Num espectáculo de 3 horas, é difícil cativar o público se apresentarmos o mesmo tipo de acção durante todo esse tempo. O Wrestling é, sobretudo, um espectáculo de variedades. As pessoas não vêm todas ao mesmo.

Um espectáculo do WP em Queluz

Enquanto lutador, rapidamente entendi a importância de alcançar um USP, ou Unique Selling Proposition. Num show, temos de pensar nos fãs hardcore de Wrestling que querem ver um combate altamente atlético, mas não podemos ignorar as pessoas que pagaram bilhete para ver alguma comédia, lutadores muito pesados ou muito leves, personagens extravagantes ou lutas dentro de jaulas ou cadeiras.

O desafio, em teoria, não é complicado: olhar para o balneário, pensar o que posso trazer de único ao meu combate face aos restantes e fazer o possível e o impossível para me diferenciar.

Da mesma forma que 10 ou 20 lutadores podem alcançar um posicionamento único num espectáculo, também as marcas podem ser bastante diferentes mesmo se actuarem numa indústria com muitos players. De certa forma, apesar de todos competirem uns com os outros para aparecerem no espectáculo, quanto maior a diferenciação de um Wrestler face aos restantes, menor concorrência terá – tal como qualquer outra marca.

Lição #3: Gerir lutadores não é diferente de uma Matriz BCG

Não é preciso criarmos a nossa própria federação para compreender que no Wrestling nenhum lutador tem a sua posição garantida. O mercado é dinâmico e a gestão de produto é incrivelmente similar à de qualquer outra marca.

A matriz BCG

Se a popularidade de um lutador está a subir (Estrela), é natural que este comece a ganhar tempo de antena nos espectáculos e vença mais combates. Se um lutador já está estabelecido (Vaca Leiteira), pouco importa se vence ou perde com frequência, sendo a sua principal função gerar bilheteira e elevar os produtos Estrela com alguma regularidade. Ainda assim, terá de ser protegido ocasionalmente, para se manter nessa posição.

Naturalmente existem sempre alguns Dilemas (aqueles lutadores que parecem promissores mas que ainda não garantem que tragam dinheiro à companhia) e claro, os Abacaxi, aqueles que se encontram em final de carreira ou que simplesmente já tiveram o seu auge e estão agora perto de irrecuperáveis.

Todos estes são termos familiares para quem frequentou uma escola de Marketing.

Lição #4: A job description pouco importará

No escritório, é frequente ver pessoas a espernear quando surge uma tarefa “que foge à job description” – seja por se tratar de algo que escapa ao nosso domínio, seja por ser aborrecida ou simplesmente porque “não foi para isto que me contrataram”.

Reunião no Escritório

Quando comecei no Wrestling, o meu sonho era simplesmente ser um lutador; chegar à arena, ouvir como me pretendiam usar nesse dia, fazer o meu trabalho no ringue e repetir no dia seguinte.

A vida real foi bem diferente: criar sites, planos de negócio, academias, vídeos, newsletters, distribuir flyers ou vender merchandise não constava nas minhas funções, mas fizeram parte da viagem. A transição para a vida de escritório nunca foi muito complicada por este motivo. A verdade é que para ser Wrestler é preciso algum espírito empreendedor; por maior união que haja, compete a cada um brilhar e impressionar a sua audiência de qualquer forma que consiga.

No escritório, a nossa capacidade de resolver problemas é cada vez mais testada, independentemente da nossa formação. Pouco importa se aprendemos a fazer determinada tarefa na escola quando estamos à distância de uma pesquisa no Google ou de um tutorial do YouTube para obter a resposta.

Lição #5: O segredo está em esconder as fraquezas

No meu percurso (e como referi em cima), tive a oportunidade de fazer muitas coisas fora do ringue, algumas que não tinha sequer sonhado que seriam possíveis. Uma delas (que também não estava na job description) foi comentar Wrestling semanalmente para a SportTV, durante 2 anos e meio.

No produto que comentei (TNA Impact Wrestling), várias foram as vezes em que assisti a erros por parte dos atletas. Obviamente não poderia comunicar esses acidentes à audiência (alguns apenas visíveis a quem está realmente por dentro) e, como solução, fiz aquilo que qualquer comentador de Wrestling faz: contrapor realçando os pontos fortes de cada personagem.

Poucos são os lutadores completos – uns são bons no ringue, outros têm um excelente look e outros são personagens fantásticas. Em alta competição encontramos os 2 factores combinados com frequência, mas raros são os momentos em que encontramos alguém que seja completo a todos os níveis. Esses, geralmente, entram para a história.

Os 3 factores críticos no Wrestling

A forma de disfarçar estas limitações? Contar uma história totalmente à volta dos pontos fortes do lutador.

O mesmo se aplica quando estamos no balneário a combinar o combate com alguém; não vamos expor as suas limitações junto ao público, visto que não ganharíamos nada com isso.

O Wrestling é sobretudo um espectáculo onde se esconde as fraquezas uns dos outros.

Se o nosso colega ficar mal visto numa actuação, só há 2 conclusões possíveis:

  • ele ganha e nós, que perdemos, ficamos mal vistos na fotografia porque o adversário não era assim tão bom;
  • ele perde e nós, que ganhámos, não conquistamos muito com essa vitória (porque o adversário não era assim tão bom).

No entanto, se ambos os lutadores estiverem ao seu melhor nível, não só o público será o grande vencedor como nenhum dos lutadores sairá realmente da arena a perder.

Todas as marcas têm os seus pontos fracos – da mesma forma que no Wrestling desenvolvemos o storytelling baseado nas nossas forças, o mesmo acontece no Marketing.

Lição #6: É uma maratona, não é um sprint

Esta é uma das minhas fases preferidas e aprendi-a no Wrestling. Quando comecei a preparação para ser lutador, sabia que teria muito trabalho pela frente, mas realisticamente não tinha noção do que me esperava. O mesmo é verdade no que toca aos vários alunos que pisaram o ringue da academia do WP.

Quando começamos a levantar pesos ou a tomar atenção ao que comemos, raramente temos consciência de que aquele ritual nos acompanhará durante vários anos, 7 dias por semana. Os ganhos são lentos e a frustração pode ser grande. É um jogo de paciência.

No ringue, começamos por aprender a cair e a curva de aprendizagem não é simpática nos primeiros tempos, dando direito a muitos erros e a algumas dores. É um jogo de aperfeiçoamento.

Ano após ano, apercebemo-nos que os verdadeiros resultados só surgirão se estivermos nisto a longo prazo.

A vida é uma maratona, não um *sprint*

Depois há todo o percurso que temos de percorrer até nos tornarmos campeões. O sucesso não surge de um dia para o outro e, por muitos que alguns se achem especiais, o Wrestling é um excelente meio para ganhar alguma humildade e perceber que só o trabalho e a consistência nos trarão resultados a longo prazo.

Acredito que foi esse trabalho e essa paciência que me garantiram os títulos de campeão nacional e europeu de Wrestling. Uma disciplina que, depois de adquirida, serve para qualquer hobby ou sonho que queiramos perseguir.

Esta é basicamente uma lição de vida, que se pode aplicar a tudo, pelo que no Marketing as coisas não são diferentes. Da mesma forma que uma marca precisa de tempo (e trabalho) para crescer, não podemos entrar numa empresa a achar que já sabemos tudo ou ficar frustrados por verificar que há muitos procedimentos que temos de interiorizar.

É suposto levar tempo e o simples acto de aparecer aumenta drasticamente as probabilidades de chegar ao destino.

Lição #7: Ouvir o público é a receita para o sucesso

Quando estamos a começar, é normal estarmos mais preocupados com a nossa roupa ou com os golpes do que com o que o público pensa – no entanto, quanto mais rapidamente percebermos que é a audiência que manda, mais rapidamente adaptamos o nosso espectáculo ao que mexe com as emoções dos espectadores.

Obter uma reacção do público, boa ou má, é o objectivo de qualquer lutador. Uma arena barulhenta é também o desejo de qualquer empresa deste ramo. Se escutarmos atentamente, melhor saberemos o que corrigir para o próximo espectáculo e mais perto estaremos de entregar o show perfeito.

O maior evento anual de Wrestling: O WrestleMania

No mundo das marcas, o cenário não é diferente – o consumidor é, na maior parte dos casos, o primeiro a manifestar o que deseja, o que adora e o que despreza. Faz apenas sentido que as marcas se adaptem aos consumidores, em vez de optarem pela via solitária de fazerem aquilo que acham ser o melhor para o seu universo.

Conclusão

Frequentemente digo a amigos que o universo do Wrestling é a melhor escola de Marketing que se pode pedir. Estes são só alguns exemplos – a lista poderia ser bem mais longa – que mostram como lutadores, quando bem geridos, não são muito diferentes de um Macbook Pro ou de um HTC One.

Se o Wrestling é a melhor escola, então a WWE será o melhor case-study. E é por esse motivo que a próxima edição d’O Conteúdo é Rei será precisamente sobre isso!

Como escrever mais depressa

Como escrever mais depressa

Como escrever mais depressa 620 350 Bruno Brito

Quando pensamos em produtividade, pensamos em atalhos. Como terminar a tarefa gastando o menor esforço e tempo possíveis, basicamente. Enquanto aperfeiçoamos lentamente o reconhecimento de voz, a melhor solução para inserir texto num computador ainda é “2 mãos e um teclado”. Portanto, para produzir mais à frente de um computador, frequentemente surge a inevitável questão:

Como posso escrever mais depressa?

Claro que conhecer o teclado ajuda e utilizar as 2 mãos e mais dedos do que apenas o indicador trarão enormes resultados nos testes de WPM (ou words per minute). Mas ainda assim, quando se chega a 100 WPM ou mais, é apenas normal virarmo-nos para outras ferramentas para acelerar a nossa produtividade junto ao teclado.

Este não será um post em que partilho técnicas para mexer os dedos mais rapidamente que a própria sombra ou falo sobre a postura correcta em frente ao computador – isso não é o que um life hacker faz. Vamos tomar consciência do esforço que realizamos e perceber como o optimizar – entender tarefas rotineiras e repetitivas e, a partir delas, descobrir como podemos produzir mais texto com menor esforço.

É aqui que surgem os Text Expanders.

Text Expansion: O que é?

Text expansion é basicamente qualquer acto de digitar um texto que rapidamente se expande em algo: uma espécie de clipboard sempre pronto a ser chamado quando escrevemos a palavra-chave. No fundo, é dizer ao computador “se eu escrever isto, altera-me por aquilo“.

Se quisermos escrever o nosso email, por exemplo, podemos apenas digitar _em e o programa rapidamente substituirá essa entrada por [email protected].

Não sabemos o nosso NIB de cor? Não há problema. Podemos ensinar o programa a substituir algo como NIB pelos 21 dígitos da conta bancária, em vez de recorrer à caderneta ou ao *homebanking.

O que é o Text Expansion

Estas são apenas 2 aplicações muito simples que se podem dar a um programa de text expansion. Claro que com um pouco de criatividade se podem obter resultados bem mais interessantes, especialmente para aliviar aquela tarefas rotineiras e aborrecidas de vários instantes de copy/paste. Mas já lá vamos…

Funções adicionais

Os programas de text expansion evoluíram bastante e hoje em dia são capazes de muito mais do que apenas substituir texto. Cada software terá funções distintas, mas 3 funcionalidades parecem reunir maior consenso: a correcção automática de texto, a sincronização e as macros.

Correcção automática de texto

À semelhança de editores de texto mais elaborados, alguns Text Expanders também podem corrigir a ortografia de erros mais comuns de qualquer idioma. Esta função de spell check nem sempre é desejada, mas é muitas vezes benvinda e podemos até configurá-la a nosso gosto, adicionando ou removendo quaisquer sugestões do programa.

A grande vantagem é que as correcções acontecerão em qualquer programa, como o Notepad ou o browser, desde que a aplicação esteja a correr no background.

Macros

Por vezes, não é só uma questão de inserir texto – também desejamos que o computador execute determinadas acções, como carregar na tecla Tab ou End, ou inserir a data ou hora automaticamente.

Macros no PhraseExpress

Os Macros permitem isso mesmo: após a introdução da acção desejada, os Macros podem ser corridos e facilitar em muito o preenchimento daqueles campos maçadores de dados pessoais, por exemplo. Não são propriamente fáceis de configurar à primeira vista, mas podem salvar horas preciosas mais tarde.

Sincronização

Hoje em dia utilizamos cada vez mais aparelhos para trabalhar: tablets, smartphones, Macs e PCs. A sincronização, por exemplo via Dropbox, facilita o trabalhador que muda frequentemente de computador mas que deseja ter os seus triggers de texto sempre à mão.

As apps

Seja para Mac, seja para PC, existem várias opções de text expansion. Aqui, vou-me cingir às duas que utilizo: o PhraseExpress para PC e o TextExpander para Mac.

Existem bastantes outras, onde destaco para PC o Texter e o Breevy e, para Mac, o aText e o TypeIt4Me. Os preços variam e as funções também, mas o básico todas entregam conforme esperado.

PhraseExpress (Windows)

Este programa é provavelmente a melhor solução para Windows, tanto pelo enorme conjunto de funcionalidades como pelo facto de ser grátis para uso pessoal.

Ao início, em Windows utilizava o minimalista Texter, desenvolvido pelo “Lifehacker” Adam Pash mas rapidamente entendi que precisaria de um programa mais avançado. Foi aí que instalei o PhraseExpress.

O interface é o esperado de um programa deste género.

PhraseExpress

Este programa procura ser mais que apenas algo que substitui texto por outro texto e, no geral, faz um excelente trabalho. Não só corrige a ortografia automaticamente em 7 línguas como com o tempo procura prever o texto e completar a frase automaticamente (basta, para tal premirmos a tecla Tab).

Esta app tem ainda outras funções mais ninja, como gravar as últimas entradas que fizemos copy/paste, armazenar outros tipo de informação (como imagens) e importar uma série de frases através de um ficheiro CSV. Suporta macros e até faz cálculos à medida que vamos escrevendo.

TextExpander (Mac)

Esta app é consideravelmente cara ($35) e apesar de ser excelente no que faz, provavelmente uma compra mais racional seria investir $5 no aText. No entanto, como obtive o TextExpander numa bundle de software para Mac, o preço não teve efeito na minha decisão.

TextExpander para Mac

Como seria de esperar, este programa é bastante similar ao PhraseExpress. Também suporta macros e também verifica a ortografia para Inglês, Francês e Alemão. A forma de gravar texto é intuitiva e similar à do PhraseExpress, suportando pastas. A última actualização também permite sincronização via Dropbox, que curiosamente o PhraseExpress reconhece automaticamente.

Olhando para as 2, o PhraseExpress aparenta ser mais completo e intuitivo. No entanto, utilizo as 2 diariamente e não sinto que uma seja consideravelmente superior à outra.

O melhor? Podemos utilizar as 2, em cada plataforma, que a sincronização por Dropbox vai garantir que temos sempre os mesmos excertos de texto connosco.

A sincronização entre as 2 apps facilita a transição de Mac para PC

Algumas utilizações criativas

Dou por mim a utilizar cada vez mais as funcionalidades de text expansion, à medida que faço um esforço mais consciente em lembrar-me que ele está instalado no computador – este é muitas vezes o grande desafio!

Aqui ficam alguns exemplos.

#1: E-mails

Muitas vezes podemos optimizar a nossa comunicação por e-mail com este tipo de software. Se nos apercebermos que estamos constantemente a responder às mesmas questões de clientes, por exemplo, fará sentido criar uma espécie de respostas a FAQ (Frequently Asked Questions) com entradas no programa.

O Gmail tem uma função no Labs de “Canned Responses”, onde podes inserir uma mensagem predefinida no corpo de cada e-mail, mas outras apps podem não ter essa funcionalidade.

É aqui que entra o teu text expander: podes configurá-lo para substituir (olá por algo como:

Bom dia,
Muito obrigado pelo seu contacto. 
Relativamente, à sua questão, 

Cumprimentos,
Empresa

Este tipo de raciocínio também pode ser útil para pessoas que estejam a criar as suas cartas de apresentação num e-mail, para uma entrevista de trabalho, ou para bloggers que queiram divulgar o seu mais recente post pela comunidade de blogs relacionados.

#2: Código

A introdução de excertos de código é outra utilidade que podemos dar aos Text Expanders. Por exemplo, se quisermos inserir uma imagem com link em HTML num post, podemos simplesmente escrever #img para que o resultado final inserido seja:

<a href=""><img src="" alt="" width="" height="" border="0"></a>

#3: Fórmulas Excel

Esta é uma das minhas aplicações favoritas. Quantas vezes não vos aconteceu perderem largos minutos a escrever uma fórmula (ou simplesmente a pensar nela) quando podiam ter as vossas fórmulas preferidas guardadas no PhraseExpress?

No meu trabalho, para as minhas campanhas de E-mail via Mailchimp, é frequente ter de exportar os contactos do CRM para Email. Para maior personalização na mensagem, gosto de separar o primeiro nome do último, pelo que recorro a uma fórmula de Excel para isso.

No entanto, para a activar, escrevo apenas getfirstname, que gera o seguinte resultado:

=LEFT(A1,FIND(" ",A1,1)-1)

Sendo depois apenas uma questão de trocar o “A1” pela célula em questão.

Similarmente, ao digitar getlastname obtenho o apelido.

=RIGHT(A1,LEN(A1)-FIND(" ",A1,1))

#4: Sliced Images no Photoshop

Se estivermos repetidamente a cortar as mesmas imagens no Photoshop, torna-se maçador preencher todos os campos à mão. Aqui, podemos utilizar um Text Expander que suporte macros (como o TextExpander para Mac) para apenas escrever algo como _fb e preencher automaticamente o quadro em baixo:

Photoshop slice com text expansion

#5: Auxiliar de memória

Se formos criativos, não há limites para a forma como um programa destes nos poderá ajudar. Podemos alterar uma password que não decoramos por algo como pass1 ou um número de telefone por mãetlf. Assim, escusamos de abrir uma aplicação como o Evernote ou Google Keep para aceder às notas e fazer copy/paste.

Conclusão

Muito tempo se pode poupar se nos dermos ao trabalho de personalizar devidamente estes programas. Muitas vezes, a barreira é sobretudo psicológica – lembrar-nos que eles lá estão, no system tray, prontos a ser utilizados. No mínimo, podem ser utilizados como uma melhor ferramenta de copy/paste ou de ortografia, mas com alguma criatividade sem dúvida que se podem poupar imensas horas à frente do computador.

Ghost - a nova alternativa para blogging

Ghost – a nova alternativa ao WordPress

Ghost – a nova alternativa ao WordPress 620 350 Bruno Brito

O WordPress é uma plataforma fantástica. O projecto continua a crescer e todos os dias novos (e brilhantes) plug-ins surgem para facilitar a vida dos milhões de bloggers que utilizam este CMS (Content Management System).

O WordPress é uma escolha tão popular que estima-se que 1 em cada 5 sites utiliza esta plataforma – dada a sua flexibilidade e suporte, é geralmente a solução top-of-mind.

No entanto, para este blog, decidi experimentar algo diferente. Talvez por procurar algo minimalista, talvez por estar “farto” de utilizar a mesma ferramenta ou simplesmente por curiosidade, optei por outro caminho. Quando decidi arrancar com este projecto, não tive grandes dúvidas: ia dar uma hipótese ao Ghost.

Apresentando o Ghost

O Ghost é fruto de uma campanha Kickstarter, uma plataforma de crowd-funding que se tem relevado uma das melhores formas de projectos promissores obterem financiamentos.

Ghost fez barulho logo ao início: a missão e o interface apelativo valeram-lhe o destaque em sites de referência, como o Mashable ou a Forbes. O hype não tardou e, sem surpresa, o projecto foi financiado com sucesso em Maio de 2013, recebendo cerca de 8x o investimento pretendido.

Ghost no Kickstarter

O fundador, John O’Nolan, que é na realidade um ex-colaborador WordPress, pretende com esta plataforma trazer de novo o foque ao blogging e à criação de conteúdos – algo cada vez menos possível no WordPress, no meio de tantos plug-ins e customizações de código para que tudo simplesmente funcione.

Os primeiros passos

O Ghost ainda tem pouco tempo – lançado em Outubro de 2013, está actualmente na versão 0.4.1. Ainda assim, a adesão tem sido impressionante e esperam-se grandes novidades para os próximos meses, como as apps (o equivalente dos plug-ins WordPress) na versão 0.5 e o multi-user na 0.6.

Por agora, podemos simplesmente contar com algumas dezenas de themes (gratuitos ou premium), um editor minimalista (que coloca o nosso texto em markdown à esquerda e o preview à direita) e um pequeno ecrã de Settings onde definimos o nosso avatar, o nosso logo e o theme que pretendemos utilizar. Pode parecer pouco, mas na verdade é o suficiente para a maior parte dos blogs.

O objectivo do Ghost dificilmente será competir com o WordPress, actualmente na versão 3.8.1 e com uma enorme comunidade sempre disponível a esclarecer qualquer questão, criar plug-ins ou disponibilizar themes. Mas se considerarmos o sucesso recente de outras plataformas, como o Medium ou o Svbtle, existe de facto um interesse crescente em plataformas que se foquem mais na apresentação de conteúdos e na escrita e menos na quantidade de plug-ins e opções que disponibilizam.

A questão do hosting

Uma possível desvantagem do Ghost? Nem todos os planos de hosting o vão suportar.

O Ghost é baseado no Node.js, que apesar de ter várias vantagens, não é suportado no plano mais barato de uma empresa como a Dreamhost. A melhor alternativa é recorrer ao próprio hosting proporcionado pelo Ghost que, a cerca de $5 por mês para um pequeno projecto, tem um custo bastante razoável. Alternativamente, outras empresas como a Ghostify disponibilizam este serviço por um valor semelhante, com alguns extras como FTP (a razão pela qual escolhi este último foi precisamente essa).

Sem FTP?

É verdade. O hosting oficial não suporta FTP e após contactá-los, referiram que não está nos planos visto que todas as tarefas são alcançáveis via back-office.

Ghostify

Isso significa que se pretenderes fazer alterações ao theme, terás de descomprimir o ficheiro zip, editar algum ficheiro com extensão hbs, voltar a comprimi-lo e fazer o upload. Não concordo muito com tantos passos para uma tarefa simples, pelo que optei pelo Ghostify e, até agora, sem arrependimentos!

Experimentando o Ghost

O hosting pode ser pago, mas não é preciso gastar dinheiro para experimentar o Ghost. Na verdade, este corre na nossa máquina sem qualquer custo – o processo de instalação manual não é difícil, mas o melhor será recorrer ao pacote da Bitnami para este efeito. 50 MB e um par de cliques depois, o Ghost estará pronto a ser testado.

Ghost Bitnami

Se quisermos experimentar a plataforma na Web, tanto o hosting oficial como o Ghostify oferecem um período de trial de 2 semanas sem compromisso.

Personalizando o Ghost

Se as apps só vão estar disponíveis na versão 0.5, o que é que pode ser feito entretanto? Bem, como disse em cima, o Ghost já apresenta todas as condições para um pequeno projecto, mas será necessário mexer em algum código para instalar pequenas ferramentas indispensáveis, como o Google Analytics ou o Disqus. Quanto a themes, ainda são poucos, mas vão crescendo a bom ritmo todas as semanas – basta dar uma olhadela aqui ou no popular site ThemeForest.

Se gostaste do que viste, escolheste um theme e pretendes agora personalizar um pouco mais o teu blog, provavelmente vais querer fazer uma destas coisas:

  • alterar o favicon
  • instalar o Google Analytics
  • instalar o Disqus
  • editar as propriedades de OpenGraph (Facebook)
  • publicar uma feed RSS

Para te poupar algum tempo nos fóruns, vamos ver cada uma delas em detalhe aqui.

Nota #1: todas estas alterações são efectuadas acedendo à pasta dentro do teu theme, que está geralmente em algo como /content/themes/xyz

Nota #2: sempre que alterares qualquer ficheiro e fizeres upload, terás depois de clicar em “Restart Blog”.

Nota #3: sempre que mudares de theme terás de repetir este processo.

Alterar o favicon

O favicon do Ghost é bonito, mas provavelmente pretenderás trocá-lo por algo alusivo ao teu blog.

Assumindo que já tens o favicon criado e o upload feito algures, terás simplesmente de abrir o ficheiro default.hbs e localizar a zona entre <head> e </head>, para depois inserires o código em baixo (substituindo o endereço do favicon pelo do respectivo upload):

<link rel="icon" type="image/png" href="/favicon.png" />

Instalar o Google Analytics

Depois de criares uma nova conta (ou adicionares um novo site) no Google Analytics, terás de adicionar o código no ficheiro default.hbs, imediatamente antes do final do </head>.

O código deve ficar algo do tipo:

{{ghost_head}}
<script>
(function(i,s,o,g,r,a,m){i['GoogleAnalyticsObject']=r;i[r]=i[r]||function(){
(i[r].q=i[r].q||[]).push(arguments)},i[r].l=1*new Date();a=s.createElement(o),
m=s.getElementsByTagName(o)[0];a.async=1;a.src=g;m.parentNode.insertBefore(a,m)
})(window,document,'script','//www.google-analytics.com/analytics.js','ga');
ga('create', 'UA-XXXXXXX-XX', 'omeusite.com');
ga('send', 'pageview');
</script>
</head>

Instalar o Disqus

Um blog é bem mais divertido (e útil) quando tem comentários de outros utilizadores, portanto será natural que queiras utilizar o popular Disqus para esse efeito.

Depois de efectuares o registo, terás desta vez que ir até ao ficheiro post.hbs e localizar a zona entre {{/post}} e </article>.

Aí, deves colocar este código, substituindo exemplo pelo teu próprio shortname:

<div id="disqus_thread"></div>
<script type="text/javascript">
var disqus_shortname = 'exemplo'; // required: replace example with your forum shortname
var disqus_identifier = '{{post.id}}'; // make sure to use the post.id as an identifier, otherwise disqus will use the pages url per default, which might be problematic...

/* * * DON'T EDIT BELOW THIS LINE * * */
(function() {
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Editar as propriedades de OpenGraph

Alguns themes não estão devidamente personalizados como deviam no que diz respeito ao OpenGraph, o popular API do Facebook.

Ao partilhares um artigo teu, dependendo do theme poderás verificar que o título ou o conteúdo não surgem conforme pretendes. Alguns vão dar o título do teu blog, outros do teu artigo, outros darão somente a data de publicação. Poderás ver como o Facebook interpreta a tua página usando este debugger.

A solução para tal não é imediata (e supostamente será uma prioridade na próxima release), mas a melhor forma de contornar este problema por agora é a seguinte:

  1. No ficheiro default.hbs, adicionar:
    {{{block "meta"}}}
    
  2. No ficheiro post.hbs, acrescentar:
    {{#post}}
    {{#contentFor "meta"}}
    <meta property="og:title" content="{{title}}" />
    {{/contentFor}}
     ...
    {{/post}}
    

seguindo as propriedades meta que podemos encontrar no debugger, como og:url, og:image ou og:description. Quanto mais informação dermos, maior controlo teremos sobre o que surge na altura de partilhar um artigo.

Para este blog, foi assim que ficou:

OpenGraph no BrunoBrito.pt

Publicar uma feed RSS

Por muito que o Google Reader já não exista, ainda faz sentido publicar uma feed RSS para eventuais leitores que pretendam subscrever o nosso blog. Criar uma feed RSS no Ghost não será difícil para ti se realizaste os passos anteriores com sucesso.

O primeiro passo será publicar o nosso site no Feedburner. Para tal, basta fazer login com a nossa conta Google e adicionar o endereço do nosso site. Depois de clicar em “Next” um par de vezes, teremos acesso à nossa feed personalizada com algo do género

http://feeds.feedburner.com/nomedosite  

O próximo passo será abrir o (já familiar) default.hbs e localizar a seguinte linha (poderá não ser exactamente igual, mas seguramente similar):

<a class="subscribe icon-feed" href="{{blog.url}}/rss/"><span class="tooltip">Subscribe!</span></a>

Aqui, bastará substituir {{blog.url}}/rss/ pelo nosso endereço do Feedburner e está feito!

Conclusão

O Ghost terá muito a oferecer no futuro e para qualquer questão mais específica o melhor será sempre visitares a secção da documentação oficial. Se experimentaste o Ghost e sentiste que algo está a faltar, não desanimes – o mais provável é que esteja previsto para uma release futura.

Veremos o que esta plataforma tão promissora nos reserva nos próximos tempos!

Como aceder à WWE Network

Como aceder à WWE Network (fora dos EUA)

Como aceder à WWE Network (fora dos EUA) 620 350 Bruno Brito

NOTA: A WWE Network já está disponível em Portugal, pelo que não deverás ter de seguir os passos deste artigo. 👍

Na passada 2ª feira, a WWE disponibilizou o seu novo produto, a WWE Network, que em muito se assemelha ao Netflix mas aplicado ao Wrestling.

Todo o conteúdo que um fã de Wrestling pode querer

O dia 24 de Fevereiro de 2014 era uma data há muito aguardada pelos fãs de Wrestling: a WWE não desiludiu e arrancou com um plataforma recheada de conteúdo, dando hipótese a qualquer fã de aceder à sua vasta colecção de PPVs, alguns programas semanais e documentários por apenas $9.99/mês. Como se tal não fosse suficiente, os fãs da marca poderão ainda acompanhar os futuros PPVs da companhia (como o WrestleMania) e serão brindados com algum conteúdo original, como é o caso do Legends’ House (previsto para Abril).

A WWE Network está, de momento, apenas disponível para os EUA. Canadá, Reino Unido, Austrália e outros países estão nos planos, mas apenas para o final do ano ou início de 2015. Portugal e Brasil não têm ainda data prevista.

Posto isto, muitos fãs fora dos EUA colocaram rapidamente esta questão:

Como posso aceder à WWE Network já?

A resposta, felizmente, não se fez esperar. A solução não é complicada e será familiar para quem já contornou este tipo de obstáculos no passado, para utilizar serviços populares como Netflix, Pandora, Spotify ou Hulu.

Os 3 passos fundamentais

Para qualquer um destes serviços, os 3 passos necessários são similares.

  • Inserir uma morada dos EUA;
  • Pagar com Paypal (podes utilizar o MBnet para tal);
  • Aceder ao serviço “simulando” que estás no país correcto.

O ecrã de registo da WWE Network

A WWE precisa de 1 milhão de subscritores para atingir o break-even. Se a WWE Network é um serviço que te interessa, então podes ajudar a empresa de Stanford já.

Vais ter de criar uma nova conta e é melhor não recorreres ao Sign-in com Twitter/Facebook/Google visto que mostrarás que não és americano! Também terás de optar de imediato por pagar e não beneficiar da semana de Free Trial.

Ao criares uma conta, terás de tratar dos passos #1 e #2. Vamos a isto!

#1: Inserir uma morada dos EUA

Se não tiveres ou não puderes utilizar a morada de um amigo que resida lá, há alguns serviços que que te criam moradas virtuais. No entanto, para a WWE Network nem é preciso ir tão longe – desde que qualquer morada tenha um estado americano seleccionado e o país escolhido seja o dos EUA a inscrição será aceite, pelo que tens enorme liberdade aqui.

#2: Pagar com Paypal

Se optares por pagar directamente com cartão de crédito, o mais provável será o sistema identificar que o teu banco não é americano. Para além disso, estará ligado à tua morada, o que não é recomendado.

Por este motivo, o melhor será associar a tua conta WWE ao Paypal. Por muito que o teu Paypal também tenha os teus dados pessoais, a WWE apenas o utiliza para verificar o pagamento.

O Paypal precisa de um cartão de crédito associado- se não tens um, podes utilizar um cartão de débito e recorrer a um serviço como o MBnet para criar esse tipo de dados. O processo não é complicado, mas aqui tens um tutorial se necessário.

#3: Aceder ao serviço “simulando” que se está no país correcto

Depois de criares a tua conta e fizeres login, acederás à WWE Network. No entanto, se tentares visualizar o conteúdo sem fazer mais nada, serás presenteado com uma mensagem de erro. Tal acontece porque o sistema detecta que te estás a ligar fora dos EUA e bloqueia o conteúdo.

Existem 2 principais formas de resolver esta questão:

  • alterando o nosso DNS;
  • com um proxy.

As técnicas são ligeiramente diferentes mas a finalidade é igual: aparentar que estamos a aceder ao site a partir dos EUA.

Há inúmeros serviços que podem ser úteis para este propósito e a maioria tem uma versão gratuita e outra paga. A versão gratuita geralmente tem limites de tráfego, de velocidade ou publicidade – se pagarmos, teremos naturalmente acesso a tudo sem impedimentos.

Como altero o DNS?

Alterar o DNS é provavelmente o método mais complicado, mas a grande vantagem será não sentires alterações na velocidade da tua ligação e teres a possibilidade de utilizar o serviço em qualquer plataforma, desde que faças as devidas alterações em cada uma – até na XBOX, PS3 ou PS4.

Unblock-Us

Se seguires esta via, o UnblockUS será provavelmente a melhor opção. Depois de te registares, terás apenas de aceder às tuas definições de rede, alterar os DNS e estarás pronto. O serviço custa $4.99 por mês e tens uma semana para experimentar sem custos.

Apesar de ser o método mais complicado dos 2, é longe de difícil– se estás habituado a visitar o Painel de Controlo do teu Windows ou OSX, não terás dificuldade em seguir os passos de configuração.

Como utilizo um proxy?

Se optares por um proxy terás mais opções e, em muitos casos, a instalação resume-se a um par de clicks. Aqui a oferta é imensa- existem extensões para o browser e aplicações para Windows, OSX, Android e iOS.

Se não tencionares ver a WWE Network fora do browser, podes simplesmente instalar algo como o anonymox se utilizares o Firefox. Se gostares mais do Chrome, já li coisas boas sobre o Hola! e o Proxmate, mas como não as testei não posso confirmar.

Hideman

No entanto, a opção que recomendo se optares por um proxy será o Hideman – é compatível com Windows, OSX, Android e iOS e tudo o que foi necessário foi instalar a aplicação, escolher o país de onde pretendo aceder (EUA, claro) e está feito. Independentemente do browser, tudo o que fizeres será como estiveres nos EUA.

O Hideman dá-te acesso a 5 horas por semana e poderá limitar-te a velocidade a 512 kps, pelo que se gostares e quiseres mais terás de pagar $69 por ano.

Conclusão

Aceder à WWE Network não é difícil e qualquer uma destas soluções não te levará mais de um par de minutos a configurar. Depois já poderás fazer login e estarás pronto para visualizar todo o conteúdo e mais algum!

A WWE Network depois do *login*

Pessoalmente, recomendaria a alteração do DNS com o UnblockUS, visto que é mais versátil, barata e uma vez configurada, não terás que voltar a mexer. Mas podes sempre começar por um proxy e depois, se decidires pagar, passar para uma VPN!

deadmau5

Conteúdo é Rei – o caso deadmau5

Conteúdo é Rei – o caso deadmau5 620 350 Bruno Brito

O caso deadmau5

Neste primeiro case-study dedicado a bons exemplos de Marketing de Conteúdos, vou abordar um dos maiores fenómenos da música electrónica nos últimos 10 anos: deadmau5.

Quem é deadmau5?

Joel Zimmerman é canadiano e podemos considerá-lo um artista de música electrónica. Um DJ? Não. Um DJ toca discos e não é isso que Joel faz- aliás, este fica rapidamente ofendido quando é (erradamente) associado a um disc jockey. O natural de Toronto é um produtor: não se limita a tocar discos, escreve e produz as suas próprias músicas.

Joel Zimmerman (deadmau5)

Se depois de ouvir a palavra “DJ” Joel ainda estiver na sala de imprensa, há 2 coisas que o jornalista deve pensar:
1- na sorte que teve em ainda ter o entrevistado consigo;
2- em não pronunciar deadmau5 como se fosse “dead mau five” na pergunta seguinte.

Porque é que eu sei isto? Simples.

Porque Joel Zimmerman é um excelente storyteller. Porque Joel Zimmerman é Joel Zimmerman – não é uma personagem, é ele próprio, a 100%, 24/7. E são esses 100% que ele transmite na sua música, dia após dia.

Mas não é só com beats que deadmau5 comunica; vamos conhecer um pouco melhor este senhor.

deadmau5, o contador de histórias

A alcunha deadmau5 (ou “dead mouse”) surgiu no dia em que Joel encontrou um rato morto dentro do seu computador. Estava numa chat room e decidiu mudar o seu nome para deadmouse, mas devido ao número de caracteres, não conseguiu. deadmau5 foi a alternativa que encontrou e o nome acabou por ficar.

O produtor canadiano dificilmente estaria agora em palco com uma cabeça de rato sem este acontecimento. Esta cabeça contribuiu em boa parte para a sua imagem de marca, simbolizando algo bem mais forte do que um aparente tributo a Daft Punk.

deadmau5

Esta é apenas uma das várias histórias que um fã sabe de cor e salteado sobre Joel Zimmerman.

Joel nunca fez questão de proteger a sua vida pessoal, partilhando sempre qualquer pensamento com o mundo. Naturalmente, a sinceridade nem sempre lhe trouxe bons resultados, como quando atacou Paris Hilton, David Guetta ou surpreendeu o seu amigo Skrillex ao aparecer nos Grammys com uma t-shirt com o número de telefone do produtor de dubstep. No entanto, esta amplificação de personalidade fez com que os fãs se identificassem ainda mais com o artista canadiano.

Joel não partilha apenas os momentos divertidos ou positivos da sua carreira: os fãs foram os primeiros a saber da sua condição depois de ter desmaiado em pleno palco a meio de uma tour e acompanharam as suas relações amorosas de perto, fosse os altos e baixos com a modelo Lindsey Gayle ou com a popular artista de tatuagens Kat Von D.

E como poderíamos falar da vida de deadmau5 sem mencionar o seu gato, Meowingtons? O gato é o seu grande companheiro, como poderemos verificar mais à frente.

Poucas celebridades criam esta relação de proximidade para com os fãs. Muitos sentem que conhecem Joel como se de um amigo se tratasse. Toda esta exposição e vulnerabilidade fez com que os seguidores de deadmau5 se interessassem cada vez mais pelo artista e lhe dedicassem maior tempo de antena em detrimento de outros.

Para comunicar com os fãs, Joel utiliza os mesmos canais de milhares de outros artistas: as redes sociais. No entanto, e ao contrário de 95% dos restantes performers, Joel sabe perfeitamente o que está a fazer.

deadmau5 e as redes sociais

A polémica é uma nota de rodapé na vida de deadmau5. Este produtor vive essencialmente da música que faz, do seu merchandise e claro, dos espectáculos pelo mundo fora. E deadmau5 sabe que o segredo do seu sucesso reside, em boa parte, na sua comunidade- a horde, como ele lhe chama.

[A *horde* de Deadmau5, aqui bem feliz

A equipa de Joel também tem controlo sobre as suas plataformas sociais, mas quem as gere é sobretudo ele. Aqui, vou falar das mais importantes.

Soundcloud

A primeira plataforma digna de menção é claro a alemã Soundcloud. Na rede social dedicada à música (e ao audio em geral), o canadiano conta com quase 500 mil seguidores.

E engane-se quem achar que a conta está em soundcloud.com/deadmau5. Não, Joel não respeita a regra sagrada de ter o mesmo handle em todas as plataformas. Aqui, podemos encontrá-lo com a handle de fuckmylife.

FML é uma das várias provas de que deadmau5 conhece (e faz parte) da geração da internet, que é simultaneamente uma boa parte da horde. Mas algo mudou recentemente…

deadmau5 no Soundcloud

Se a visitarmos hoje, não encontramos qualquer clip sonoro. Tal não era o caso em 2013, quando deadmau5 colocava com frequência demos de músicas, versões alternativas dos seus êxitos, covers de outras músicas ou de temas de videojogos e todo o tipo de sons que lhe apetecesse. Qualquer post recebia, numa questão de segundos, centenas de comentários.

A razão para a conta estar agora vazia? Vamos saber mais à frente.

Twitter

Possivelmente, a plataforma preferida do produtor. Aqui, deadmau5 conta com quase 18 mil tweets e mais de 2.5 milhões de seguidores.

18 mil tweets? Como atingiu deadmau5 esse número? Interagindo com os fãs (e com os haters). Respondendo a questões. Dizendo o que lhe vai na alma. Fazendo RT de pensamentos que concorda.

E falando com o seu gato. Sim, Meowingtons também tem a sua própria conta no Twitter. Agora bem menos activa, conta ainda assim com mais de 34 mil seguidores e contém alguns dos textos mais divertidos que Joel publicou em qualquer plataforma da internet.

deadmau5 e as suas contas Twitter

O que tem tudo isto de especial?

Simples. Joel não é o habitual artista que aparece no Twitter quando tem um álbum novo para promover, quando a editora acha relevante divulgar uma nova tour ou para fazer uma questão de estudo de mercado. Joel passa genuinamente horas no Twitter a responder a fãs e a estabelecer uma relação personalizada com a horde.

No dia 12 de Novembro, o universo do Twitter tremeu quando deadmau5 anunciou que estava de saída da rede. Chegou até a apagar todos os seus tweets.

Alegadamente, deadmau5 estava cansado da falta de controlo que tinha na plataforma e devido à energia (e tempo) que dispendia, tinha optado por entregar a plataforma à sua agência. No entanto, provavelmente por dependência, tal acabou por ser sol de pouca dura e o seu regresso não se fez esperar.

Tumblr

Para além da música, deadmau5 é bastante talentoso na escrita. Como já foi exposto neste artigo, deadmau5 não é alguém que goste propriamente de guardar os pensamentos para si. No seu tumblr, intitulado “united we fail” é frequente encontrarmos fotografias da sua casa, do seu enorme estúdio, de Meowingtons e… todo o tipo de ideias que lhe surgem.

deadmau5 no Tumblr

deadmau5 utiliza este canal sobretudo para comunicar ideias mais elaboradas, que não cabem em 140 caracteres. Um exemplo disso? O seu artigo “We all hit play” em que explica um dos aspectos mais controversos da actualidade entre os DJs e produtores de EDM (Electronic Dance Music). Num artigo polémico, o produtor explicou porque é que os artistas não estão em condições de arriscar e porque não é de esperar mais improviso na hora das actuações ao vivo.

Ele pensa, publica e a horde faz o resto- espalhando a mensagem por todo o Tumblr numa questão de minutos.

Facebook

A rede social mais popular do momento é, naturalmente, a plataforma onde deadmau5 conta com mais seguidores – mais de 8 milhões à data deste artigo.

deadmau5 no Facebook

Sendo esta uma plataforma mais mainstream, é natural que seja “um best of” do que acontece nas outras plataformas. Todos os principais momentos, sejam eles pensamentos, fotografias, músicas ou vídeos passam por aqui, mas este é discutivelmente o canal menos personalizado do “rato”.

Tal decisão faz sentido visto que os fãs mais hardcore de deadmau5 sabem perfeitamente onde o encontrar; este é um canal para o “resto do mundo” saber o que ele está a preparar.

Ustream

Foi graças a deadmau5 que eu conheci o Ustream– como eu, provavelmente muitos outros. As sessões de deadmau5 são bastante populares e raramente têm um tema específico.

O conceito é simples: o artista tem tempo para queimar e decide dedicá-lo à sua comunidade- deadmau5 liga-se a partir de qualquer lado (geralmente do seu estúdio ou da sua sala de estar) e responde em voz alta ao que surge na sua feed do Twitter.

Muitas vezes, tal é só o início, acabando por ficar a tocar algo no piano ou no seu computador e a falar com o seu gato, ou com quem estiver em sua casa, à frente de todos.

deadmau5 no ustream

Os membros mais fanáticos da horde adoram estas sessões, porque podem passar umas horas com o seu ídolo e ter acesso a algo mais íntimo e pessoal, independentemente do tópico- garantido maior exclusividade.

Novamente, cá está um exemplo da sua capacidade de partilha- muitos artistas certamente considerariam um risco mostrar a casa, os amigos/parceiro ou os animais de estimação ao mundo, mas é exactamente isso que o “rato” faz (ou fazia, mais respostas à frente) com enorme frequência.

YouTube

Esta é outra plataforma onde deadmau5 tem enorme impacto. Contando com perto de 700.000 subscritores à data deste post, aqui podemos encontrar muito mais do que os habituais videoclips ou imagens capturadas de eventos/festivais em que Joel fez parte.

Canal YouTube deadmau5

Desde viagens de carro com amigos e artistas passando por trabalhos de fãs e acrobacias incríveis de Meowingtons, tudo é passível de ser publicado na principal rede social da Google. Uma abordagem bastante diferente às habituais contas de cariz comercial de outros artistas.

Uma colaboração inesperada

Seguidores, likes e tweets à parte, com tanta entrega deadmau5 ganhou bem mais do que apenas uma relação próxima com a comunidade. Um exemplo? A colaboração com Chris James.

Numa sessão de streaming de 22 horas, uma partilha de material “inacabado” com os fãs trouxe um convidado inesperado para dar voz a The Veldt, uma faixa baseada num conto de Ray Bradbury.

Depois de deadmau5 ter mostrado a sua mais recente criação à horde, esta avisou-o horas depois que alguém tinha dado voz à versão instrumental da música. Chris James, um seguidor do trabalho do canadiano, tinha colocado a sua interpretação no Soundcloud e não foi só a comunidade de Joel que foi apanhada de surpresa.

O seu talento impressionou tanto Zimmerman que numa questão de horas este o contactou, avançando rapidamente com o projecto. Depois de editada, esta faixa revelou-se uma das mais populares nas pistas em 2012, chegando a ser nomeada pela revista Rolling Stone uma das 50 melhores músicas desse ano.

Uma colaboração sem dúvida impossível de acontecer há uns anos atrás.

O triunfo do conteúdo: a sua nova plataforma

Se chegaste até aqui, provavelmente estarás a pensar o que terá conteúdo a ver com um artigo que realça sobretudo as redes sociais.

Sem dúvida que este poderia ser um case study de redes sociais, porque o “rato” domina-as como poucas celebridades. Mas domina porque produziu sempre conteúdo sincero, envolvente, original e nativo à plataforma em questão.

Não o fez para ganhar seguidores, até porque se esse fosse o objectivo provavelmente investiria mais em publicidade e evitaria as declarações potencialmente polémicas. Mas não.

Joel mostrou honestidade, vulnerabilidade e liderança. Fala do que sente, criando com isso uma ligação de amor/ódio com a sua audiência, que até serve de filtro. Quem gosta de deadmau5, gosta mesmo- o contrário também se aplica.

Ao enviar a horde para o Ustream, para o Soundcloud ou para o Tumblr (consoante a mensagem), o artista criou uma ligação única com a sua comunidade. Mas só conseguiu chegar lá devido à qualidade do conteúdo que partilhava.

Enquanto outros artistas escrevem um tweet a relembrar que o novo CD já está disponível ou que os bilhetes para um concerto já podem ser adquiridos, deadmau5 raramente pede algo a alguém- e quando o faz, é normalmente acompanhado de ironia.

Falava em voz alta no Ustream para responder a um fã. Fazia upload no Soundcloud para divulgar o que tinha andado a fazer à comunidade, sem pedir 1 cêntimo em troca. E sempre que a comunidade não sabia o que pensar sobre determinado acontecimento, bastava dirigir-se ao tumblr para encontrar um pouco de informação “vinda dos bastidores” de quem sabe.

Ele deu, deu e deu, nunca pedindo nada em troca. Até que…

A dinâmica da comunidade obrigou Joel a reflectir sobre o seu futuro. O produtor passava cada vez mais tempo nas redes, recebendo muito “barulho” irrelevante de pessoas que não respeitavam o seu trabalho e enfrentado problemas com plataformas que não lhe davam o controlo que desejava. Por estas razões (e devido ao brilhantismo do seu conteúdo), Zimmerman entendeu que a altura de pedir algo tinha chegado.

Foi aí que surgiu a sua nova plataforma.

A nova plataforma para o fã de deadmau5

Numa parceria com a Upfront, deadmau5 criou no final de 2013 a sua própria rede social, plena de conteúdo. A ideia passa por continuar a partilhar tudo o que partilhava nas outras plataformas mas, desta feita, num canal fechado.

Um utilizador terá acesso a:

  • Chat com o próprio deadmau5
  • Fotos e Vídeos, incluindo streams no estúdio
  • Música, incluindo projectos inacabados, covers e faixas nunca lançadas
  • Fórum para debater temas com o artista e outros utilizadores
  • VIP QR codes para eventos privados

Existe conteúdo disponível para todos, mas o conteúdo premium é apenas acessível a quem pagar $4.99 dólares por mês ou $44.99 por ano.

No que toca a conteúdos que entrarão em conflito por já serem distribuidos por uma editora, deadmau5 referiu que as 2 partes “acabarão certamente por chegar a um acordo”.

Dificilmente este produto poderia acontecer sem provas dadas no passado no que diz respeito à entrega de conteúdos relevantes para a comunidade. Apesar das inevitáveis críticas, a decisão de deadmau5 foi no geral bem recebida pela horde, considerando o preço bastante razoável para o que obterão em troca.

Será um sucesso? Marcará o início de uma revolução? O tempo o dirá.

Se mais artistas poderão seguir as pegadas de Joel Zimmerman? Sem dúvida. Mas 90% deles terão de começar a dar muito mais do que dão actualmente, até obterem permissão para pedir.

Fotografia:

O Conteúdo é Rei - Introdução

Conteúdo é Rei – Introdução

Conteúdo é Rei – Introdução 620 350 Bruno Brito

Qualquer aluno ou profissional de Marketing já ouviu dezenas de vezes uma frase. Uma frase que garante um brilharete a quem a enuncia, seja na sala de aula, numa entrevista de trabalho ou junto ao chefe. “Este sabe do que fala”, pensa o receptor.

O Conteúdo é Rei

É realmente verdade. O Conteúdo importa e muito. Mas se é assim tão importante, porque é que tão poucas empresas decidem adoptar esta estratégia? Por trazer resultados? Por ajudar a comunidade? Por elevar uma empresa para um patamar de relevância que outras não pretendem atingir?

Infelizmente, não sei a resposta. Mas, provavelmente, porque dá trabalho.

Dá trabalho a escritores, que agora têm um blog para gerir. Dá trabalho a editores de vídeo, que agora têm um canal YouTube para enriquecer. Dá trabalho às vozes de rádio (ou aspirantes a tal), que agora têm um podcast para criar. E dá trabalho à malta do marketing, que fica com uma enorme quantidade de conteúdo para divulgar.

Até agora, não encontrei pontos negativos nesta reflexão. Estamos a dar emprego? Óptimo. Estamos a criar conteúdos altamente relevantes para o mercado e para a empresa em questão? Excelente. Estamos a ganhar fãs que passam a mensagem por nós, a educar a comunidade e a falar com o mundo de forma totalmente permissiva e pertinente? Fantástico.

Mas custa dinheiro…

Ah, cá está ele. O tal ponto negativo que procurava… “custa dinheiro”. De facto, tal como custa anunciar na TV, na imprensa, na rádio, no Google Adwords, no Facebook ou numa newsletter. Mas a mentalidade aqui é bastante diferente quando é hora de abrir a carteira e pagar ao fornecedor.

Aqui, compramos impressões (o número de vezes que o anúncio vai surgir) e analisamos a CTR (Click-through Rate), como se fosse a grande métrica de ROI (ou retorno sobre o investimento). Poucas são as pessoas que ligam à conversão, que é bem mais relevante e se traduz no dinheiro (vendas) ao final do mês. Muitos pagam sem pestanejar e vão para casa com a sensação de dever cumprido, concluindo que anunciar naquelas plataformas “vale a pena.”

Não sei se vendi mais por isso, mas valeu a pena.

Discurso curioso. Vimos o nosso anúncio no ar e, como nós, milhares de pessoas o viram. Podemos considerá-lo um sucesso? Consideraremos estes cenários…

  • O anúncio surgiu na sidebar do Facebook, enquanto os olhos do utilizador estavam focados bem no centro do ecrã, onde estava a foto da amiga ou o vídeo de um gato.
  • O anúncio antecedeu um vídeo do YouTube, atrasando por alguns segundos a reprodução do conteúdo que o utilizador realmente desejava ver, irritando-o no processo.
  • O anúncio marcou presença na lista de resultados do Google, com um copy totalmente irrelevante para o contexto de pesquisa do utilizador.

Valeu a pena, certo? Não necessariamente. O problema, para mim, assenta em 2 questões: o anúncio era intrusivo e pouco relevante para o utilizador.

Quando os anúncios surgem nos intervalos dos programas de televisão, a solução que muitos espectadores encontram é a de mudar de canal, mesmo se temporariamente. Não querem publicidade. Porquê? Pelos 2 problemas que referi em cima.

Enquanto profissionais de marketing, a Internet deu-nos a capacidade de alterar isso. Polémicas de privacidade à parte, agora conseguimos perceber perfeitamente os hábitos de consumo dos utilizadores, o seu comportamento online e personalizar as nossas campanhas ao ponto de criar aquilo que o utilizador realmente necessita. Os tempos da Internet serem novidade já lá vão, mas nem assim estes 2 problemas estão colmatados.

E é aqui que voltamos à conversa da importância dos Conteúdos.

Publicidade é importante? Sem dúvida. Não estou aqui a escrever o contrário. A questão é que Marketing de Conteúdos também o é e é frequentemente esquecido. O investimento em publicidade pode passar por centenas, milhares ou milhões de euros por ano mas ainda assim há poucas marcas dispostas a criar um plano de conteúdos e a contratar profissionais responsáveis para tal.

Ao contar histórias, uma marca só tem a ganhar: fica mais pessoal, mostra como se identifica com o seu target, maximiza a sua identidade. O dever de uma marca também passa por educar uma comunidade e nada melhor do que apresentar excelentes conteúdos para atingir esse objectivo.

Como diria Gary Vaynerchuk, as marcas têm de começar a dar mais e, de vez em quando, pedir algo em troca.

O lado positivo? A comunidade retribui.

A comunidade devolve o esforço, seja partilhando as histórias, os vídeos ou os artigos, seja querendo fazer parte do projecto. Não se criam consumidores, criam-se fãs e, mais importante ainda, embaixadores. Numa era onde já encaramos qualquer tipo de publicidade com ofensa, apatia e desinteresse, é refrescante ver algumas marcas que conseguem tratar o seu público com o respeito que merece. Em troca, essas pessoas recomendam o seu nome a amigos, partilham o novo vídeo no Facebook ou publicam uma foto com um produto no Instagram.

Sou um enorme consumidor de conteúdos: a minha feed RSS está sempre com algo de interessante por ler, a minha wishlist da Amazon não pára de crescer e no telemóvel os GBs ocupados pelos podcasts não páram de aumentar.

A cada semana, ganho mais confiança nas marcas e autores que sigo e menos atenção (e paciência) fica para quem se quer juntar à festa sem estar convidado. Certamente, muitas outras vidas sentirão o mesmo. Ficamos cada vez mais selectivos, porque o nosso conhecimento, intimidade e identificação perante as marcas aumenta a cada conteúdo consumido.

É por este motivo que vou abrir um espaço (com este nome) em que falo dos bons exemplos. Dos que arriscam e dos que inspiram. Das marcas e personalidades que andam por aí a criar fãs, a ajudar pessoas e a elevar o standard do que o Marketing deve ser.

Porque o Marketing de Conteúdos ainda está ali no canto da sala, inibido e tímido, mas não tem de ser assim. O primeiro caso vem já no próximo post

Se quiser entrar em contacto comigo, pode enviar-me um e-mail para [email protected] ou preencher o formulário abaixo.

NOTA: Todos os campos são de preenchimento obrigatório.