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Bruno Brito

DuckDuckGo

DuckDuckGo, o motor de pesquisa privado

DuckDuckGo, o motor de pesquisa privado 620 350 Bruno Brito

Nos últimos dias, o grande destaque dos sites de tecnologia foi para a lista de novidades divulgada pela Apple na WWDC 2014 para os seus 2 sistemas operativos: o OSX Yosemite (para Mac) e o iOS8 (para mobile).

Enquanto utilizador (e fã) de OSX, é sempre com curiosidade que percorro estas listas, ansioso por saber quais as últimas inovações de um sistema já muito próximo da perfeição. E, desta vez, apesar de ter ficado impressionado com a funcionalidade de continuity, que permitirá passar mais facilmente do computador para o iPhone ou iPad, a novidade que me deixou particularmente intrigado foi a adição de um novo motor de pesquisa à escolha de possibilidades do Safari: falo, claro, do DuckDuckGo.

Esta notícia veio numa altura curiosa, visto que já há umas semanas que tenho alternado entre o Google e este motor de busca nas várias pesquisas que efectuo diariamente.

O que é o DuckDuckGo?

O DuckDuckGo tem ganho popularidade nos últimos tempos, mas a verdade é que já existe desde 2008. Apesar do nome pouco credível, o motor de pesquisa já conta com mais de 5 milhões de pesquisas por dia.

O que torna este motor de busca diferente dos outros? Basta ler o slogan…

The search engine that doesn’t track you.

O DuckDuckGo é um motor de pesquisa privado e este é o seu grande factor diferenciador. O Google tem vindo a conhecer-nos muito melhor, procurando fornecer uma lista personalizada de resultados a cada pesquisa, mas nem sempre é isso que o utilizador deseja. Inovações como o Google Now são verdadeiramente impressionantes, mas por vezes dá a sensação de que o Google começa a saber demasiado sobre nós e tal é desconfortável para alguns.

Já falei sobre privacidade na web antes e não é um tema que me tire sono. No entanto, penso que é importante conhecer as alternativas e mesmo sendo o Google incrivelmente competente enquanto motor de busca, nada nos impede de experimentar algo novo.

Dito isto, considero louvável o esforço de empreendedores como o de Gabriel Weinberg, o fundador do DuckDuckGo, que não teve medo em atirar-se de cabeça para uma guerra que está, a priori, praticamente perdida.

O impacto da privacidade nos resultados de pesquisa

O DuckDuckGo não faz profiling, pelo que todos os utilizadores terão os mesmos resultados ao inserir determinadas palavras-chave, independentemente das páginas que visitámos anteriormente ou da localização geográfica em que nos encontramos.

Este tipo de busca indiferenciada vai premiar os sites altamente credíveis, mas poderá nem sempre apresentar os resultados mais relevantes para nós, comparativamente aos do Google – de resto como poderia, se não recolhe informação sobre nós?

Que mais oferece o DuckDuckGo?

À parte da privacidade, que é indubitavelmente o grande cartão de visita, o DuckDuckGo tem algumas funcionalidades bastante interessantes que merecem um test drive. Em baixo destaco as minhas preferidas.

#1: O Infinite Scroll

O Google oferece 10 resultados e para vermos outros 10 teremos de clicar em “Next”. Tal não acontece com o DuckDuckGo – a lista de resultados é infinita!

#2: DuckDuckGo Bang!

É possível utilizar comandos específicos para obter resultados de apenas um site ou filtrar por tipo de conteúdo, como imagens. Funciona um pouco como quando adicionamos site:xyz nas nossas pesquisas do Google.

A lista de Bangs! é enorme, mas aqui ficam alguns que certamente serão populares:

  • !images ou !i
  • !google ou !g
  • !amazon ou !a
  • !lifehacker ou !lh

Se quisesse pesquisar por um Macbook na Amazon, por exemplo, bastaria pesquisar por !a Macbook et voilá!

#3: A velocidade

Pode ser ilusão, mas este motor de busca parece-me ser mais rápido que o Google, especialmente se considerarmos que apresenta instantaneamente mais resultados.

Mas a velocidade não está só no carregamento – é possível aceder, à semelhança do motor de busca líder, à informação bem depressa (na própria página de resultados) no caso de pesquisas populares como uma busca por uma marcas ou por celebridades (neste exemplo pesquisei pela Apple):

A Apple no DuckDuckGo]

Os resultados de pesquisa são também bastante interessantes se procurarmos por algo como o tempo numa cidade ou restaurantes em Lisboa, recebendo não só algumas sugestões do Yelp como o mapa para saber onde cada local se situa.

Restaurantes em Lisboa no DuckDuckGo

No caso de termos ambíguos, como o próprio termo “Apple”, temos mais opções disponíveis, como os vários significados da palavra.

A definição do termo "Apple" no DuckDuckGo

Podemos também visualizar os produtos da marca em questão ou, neste caso, até… receitas!

Receitas com o termo "Apple" no DuckDuckGo

#4: O design

O motor de busca é visualmente muito apelativo e rapidamente fiquei fã do facto de exibir o ícone (o favicon) de cada resultado encontrado e do tipo de letra, que considero bastante atraente.

Os ícones dos vários sites no DuckDuckGo

Conclusão

Por muito bonito ou rápido que um motor de busca seja, a sua missão primordial será sempre trazer os melhores resultados disponíveis para qualquer pesquisa que esteja na nossa mente.

Nesse aspecto, o DuckDuckGo é bastante competente, mas na minha experiência denotei que fica algo atrapalhado se procurarmos por notícias muitos recentes. De resto, os resultados são geralmente bastante bons, mas esse pormenor impede-me de migrar a 100% do Google para este motor de busca.

Ironicamente, a crítica mais frequente relativamente a este motor de pesquisa acaba por ser aquilo que leva 99% das pessoas a utilizá-lo ao início: a falta de personalização dos resultados!

Vale a pena experimentá-lo, mas a esta altura do campeonato não substituirá o Google. No entanto, com o número de pesquisas a crescer diariamente (e com esta aparição nos sistemas Apple) talvez o DuckDuckGo cresça e arranje uma forma de superar as suas limitações, preservando a privacidade dos utilizadores.

Markdown

Escrever em Markdown – as melhores apps

Escrever em Markdown – as melhores apps 620 350 Bruno Brito

A escrita online evoluiu bastante nos últimos anos. Passámos de um cenário em que apenas programadores com conhecimentos de HTML conseguiam inserir texto, para um mundo em que qualquer pessoa minimamente habituada a um interface gráfico (como o do Word) consegue utilizar um Content Management System, como o super-popular WordPress.

Passámos, no fundo, de um mundo repleto de código para algo mais visual, seguindo a máxima WYSIWYG (What You See is What You Get). No entanto, sempre achei que este tipo de editores mais modernos não nos davam total controlo de como o texto ia ficar.

O editor visual do WordPress]

São excelentes para quem está a começar, sem dúvida, mas é frequente a necessidade de visitar o código para algum pequeno ajuste. Por esse motivo, há quem acabe por escrever tudo em HTML – apesar de ser uma linguagem simples, sempre senti que o HTML era desnecessariamente complexo em alguns momentos.

Pelos vistos não estava sozinho. Surge assim o Markdown.

O que é o Markdown?

O Markdown já surgiu há 10 anos, mas a sua popularidade continua a crescer. Eu diria que esta é uma linguagem muito básica, que está no meio-termo entre o WYSIWYG e o HTML.

Basicamente, é o melhor dos 2 mundos: dá-nos a sensação de controlo que o HTML nos providencia mas com uma sintaxe tão simples que praticamente não se trata de código.

Falando em sintaxe, esta cábula dá-nos basicamente tudo o que precisamos de saber:

Markdown Cheatsheet

Markdown comparado ao HTML

O Markdown suporta HTML, o que significa que podemos inserir HTML no meio do nosso documento de Markdown e será interpretado correctamente. Isso torna aquele embed tão simples de fazer quanto antes, ou alguma mudança específica, como centrar uma imagem.

Mas as acções mais frequentes, essas… são agora bem mais simples.

Eis alguns exemplos:

  • escrever # ou ## substituem o <h1></h1> e o <h2></h2> respectivamente;
  • o texto a negrito consegue-se com um simples ** em vez de <strong></strong> e o itálico com * em vez de <em></em>;
  • ![]() dá-nos tudo o que precisamos para inserir uma imagem e respectivo alt text, ao invés do bem mais extenso <img src="" alt="">.

De recordar que todo o código HTML utilizado é também compatível – podemos escrever ## numa parte do texto e <strong></strong> na outra, que o resultado será o mesmo. E já que estamos numa de cábulas, aqui fica uma de HTML.

A conclusão é simples: é mais rápido escrever em Markdown. E eu adoro escrever depressa.

As apps

Escrevo todos os meus textos em Markdown há mais de um ano e ao longo desse período já encontrei várias aplicações bastante interessantes. Em baixo indico as mais populares.

Cada vez existe maior adesão por parte da comunidade e ainda bem – exemplos disso são o Slack ou o Airmail, 2 aplicações que utilizo diariamente.

Markdown no WordPress

Se o WordPress está em mais de 20% de sites da Internet, é seguro afirmar que só podemos encarar o Markdown como uma alternativa interessante se existirem soluções para este CMS. Felizmente, há bastantes plug-ins.

WP-Markdown

Aqui, o destaque vai para o WP-Markdown. Não só podemos passar a escrever em Markdown nos posts e nas páginas, como podemos até activá-lo para comentários (particularmente útil quando alguém quer comentar com linhas de código HTML, por exemplo num site frequentado por programadores).

Markdown no Ghost

Se leste este artigo sobre o Ghost, já saberás aquilo que vou dizer aqui: o Ghost suporta o Markdown de raíz, pelo que não será preciso fazeres nada.

Todos os posts deste blog são escritos directamente aqui, sem intermediários.

Markdown no SublimeText (Windows/Mac/Linux)

O SublimeText é o meu editor de texto preferido e uma das coisas que o torna tão especial é a fantástica comunidade que cria plug-ins para tudo e mais alguma coisa.

Se instalarmos o MarkdownEditing com o PackageControl (indo a “Preferences> Package Control” e depois “Install Package”), imediatamente ficaremos com um Sublime bem mais útil para este tipo de projectos, formatando o documento.

Em baixo podemos comparar o Sublime com e sem o MarkdownEditing.

MarkdownEditing para SublimeText

Markdown Pad 2 (Windows)

Para Windows, o Markdown Pad 2 é uma boa aposta. A versão gratuita permite fazer a grande maioria das acções e com o seu interface a la Word, acaba por ser uma boa introdução para iniciados no Markdown. À semelhança do Ghost, tem o editor de texto à esquerda e o LivePreview à direita, para que possamos ver em tempo real o nosso texto.

Markdown Pad 2

Marked 2 (Mac)

Marked 2 é uma app genial para Mac criada por Brett Terpstra, uma das personalidades mais activas desta comunidade.

Esta aplicação não produz Markdown (ou seja, não é um editor de texto) mas é excelente para visualizar conteúdos finais e analisá-los, sendo muito útil tanto para escritores como para programadores.

É frequente correr esta aplicação lado a lado com o Sublime, visto que o Marked 2 refresca sempre que se faz save no documento.

Estas são algumas das minhas funcionalidades preferidas da aplicação:

  • Verificação de broken links;
  • Conversão rápida para HTML ou PDF;
  • Expansão e minimização dos capítulos por headings;
  • Análises ao texto como contagem de palavras, tempo de leitura e a densidade e testes de legibilidade Flesch-Kincaid, que permitem identificar a facilidade de leitura de um documento.

Marked 2 para Mac

Estatísticas Marked 2

O Marked 2 também aceita a importação da stylesheet de um theme, pelo que podemos visualizar um documento como se já tivesse sido postado no nosso blog.

Conclusão

O Markdown continua a crescer e é uma excelente opção para quem quer começar a escrever para a web sem um curso de HTML. Prevejo que cada vez mais aplicações suportem esta linguagem e um dia talvez até se torne mesmo no standard do blogging.

Paul Heyman

O que aprendi com Paul Heyman

O que aprendi com Paul Heyman 620 350 Bruno Brito

Quem me conhece, sabe que tenho 2 grandes paixões: o Wrestling e o Marketing. Quando pensamos nestas 2 coisas durante tanto tempo todos os dias, inevitavelmente começamos a ver o mundo por esse prisma. O Wrestling e o Marketing têm bastante em comum e uma boa parte da minha inspiração no escritório vem de estudar marcas como a WWE.

O mundo do Wrestling é tremendamente competitivo – o circuito de alta competição é relativamente pequeno e quem não entrega é rapidamente substituído. Por esse motivo, muitas pessoas entram e saem anualmente, sendo raros os casos de personalidades que actuam várias décadas a alto nível.

Quem conhecer minimamente o Wrestling, poderá pensar que este artigo falará de Hulk Hogan, John Cena, Undertaker ou “Stone Cold” Steve Austin. São estes alguns dos nomes mais sonantes da indústria, mas a pessoa que vou mencionar hoje não precisa de 2 metros ou 120 kg para ter a sua posição assegurada – na verdade, nem sequer precisa de combater.

Como ele próprio diria…

Ladies and Gentlemen, my name is Paul Heyman.

Vamos conhecê-lo melhor.

Quem é Paul Heyman?

Paul Heyman tem 48 anos e é natural de Nova Iorque. Está no Wrestling há mais de 25 anos e teve um percurso, no mínimo, interessante.

Hoje em dia podemos encontrá-lo nos programas semanais da WWE, representando uma personagem que é agente de lutadores. A WWE confia em Paul E. para promover alguns dos seus maiores talentos, recorrendo à sua arma #1 – o dom da oratória.

Mas nem sempre foi assim.

Paul Heyman a acompanhar um dos seus clientes, Brock Lesnar

Antes de estar no meio do ringue com um microfone, Heyman exerceu funções na WWE enquanto comentador e até como escritor dos respectivos programas televisivos.

Um papel difícil? Nem por isso. Antes disso, Heyman tinha sido durante 8 anos responsável (criativamente e não só) por uma federação rival que ainda hoje dá que falar, a ECW – a companhia de Wrestling mais alternativo dos EUA, que fechou portas em 2001.

Fora do Wrestling, este senhor respira Marketing – tem a sua própria agência criativa, de nome Looking4Larry e um projecto multimédia que intitulou The Heyman Hustle, onde escreve e produz vídeos com regularidade.

Comecei a acompanhar a trajectória deste senhor por volta de 1997, quando tomei conhecimento do seu principal projecto na altura, a ECW. A audácia dessa companhia fascinou-me e fui apresentado a muita coisa que nunca tinha antes testemunhado no Wrestling.

Desde então, o meu respeito por este promotor continuou a crescer e estas foram algumas valiosas lições que retirei ao longo de todos estes anos.

#1: Maximiza cada minuto que te dão

Num negócio tão competitivo, temos de aproveitar todos os minutos que temos. Paul Heyman sabe passar a sua mensagem em 2 minutos mas também o sabe fazer em 20. Um bom punhado de entertainers também consegue fazê-lo, mas onde Paul E brilha é na sua habilidade de tornar cada momento memorável – seja ele uma entrevista no ringue, uma participação num podcast ou a filmagem de um vídeo. E tudo fica na memória.

A lição: Muitas vezes trabalhamos por uma oportunidade e quando a obtemos, é-nos concedido pouco tempo para passar a mensagem. Em vez de nos lamentarmos com a falta de condições ideais, devemos procurar diferenciar-nos de todos os outros e aproveitar todos os segundos para causar uma impressão – seja na sala de aula, no escritório ou na rua.

#2: Não fujas ao elefante da sala

Há bem pouco tempo, um dos nomes de topo da WWE da actualidade (CM Punk) decidiu abandonar a empresa, chocando tudo e todos.

Esta decisão surpreendente surgiu pouco tempo antes do maior evento anual da companhia (o Wrestlemania) e a empresa estava incomodada com a ideia de se deslocar à terra natal desse mesmo lutador – Chicago – numa das últimas paragens antes do grande dia.

Heyman com CM Punk

O público de Chicago é reconhecido como um dos mais vocais e a WWE sabia que iria encontrar uma arena a gritar incessantemente pelo nome do seu herói. Não só organizou um evento à altura para manter o público o mais satisfeito possível, como o programa arrancou com Paul Heyman enviado aos leões. A WWE sabia que só Heyman conseguiria domá-los.

Outra personalidade procuraria evitar referir o óbvio, mas não este senhor. Não só desceu a rampa ao som desse lutador, como lhe dedicou os primeiros minutos do seu discurso, imitando os seus maneirismos, antes de passar ao que o trazia a Chicago (este vídeo mostra todo o segmento).

A lição: Este arranque libertou alguma energia por parte do público, que esteve bem mais silencioso do que se previa depois do arranque do espectáculo. Esta coragem de enfrentar o problema e não ignorar o elefante da sala é um excelente conselho em tudo o que envolve gestão de crises e serviço ao cliente, por exemplo.

Enfrentar o problema de frente (e reconhecê-lo) surpreenderá o outro lado e transferirá tranquilidade de imediato.

#3: Conhece a tua audiência

O segredo para a forte ligação entre Heyman e o público não se deve só ao facto de este senhor estar no mundo do Wrestling há tanto tempo.

Heyman não toma nada como garantido – está sempre à procura da next big thing, perguntando frequentemente aos seus filhos o que é que está na moda e promovendo think tanks com adolescentes para ver se encontra, entre eles, o próximo Mark Zuckerberg. Só assim Heyman sente que os seus negócios têm futuro.

A lição: “Conhecer a audiência” é uma das frases mais gastas da escola do Marketing. Mas a verdade é que é muito fácil deixar de pensar nisso quando se tem uma ideia do target – Heyman tem a humildade necessária para nos lembrar que este processo não ocorre uma só vez e que nos acompanhará durante toda a vida.

#4: Não tenhas medo de arriscar

A vida de Heyman está cheia de falhanços e de histórias caricatas, fruto da sua capacidade de arriscar.

Heyman não tem (nem teve) vida fácil na WWE – chegou, por exemplo, a ser despedido enquanto escritor do programa de Wrestling WWE Smackdown por ter sido apanhado a ouvir ao telefone uma conversa confidencial entre os elementos do outro programa da companhia.

No entanto, há um pormenor nesta história; segundo o seu relato no podcast do ex-lutador Stone Cold Steve Austin, Paul Heyman não tinha ouvido essa conversa. Estava inocente. Mas tinha ouvido todas as outras das últimas 6 semanas!

Heyman chocado com a vitória de Lesnar sobre Undertaker

A lição: Este pode ser um exemplo algo extremista, que deve ser digerido com bom senso. Há quem diga “If you’re not cheating, you’re not trying”. E, apesar de não gostar de fazer batota, respeito a distância que Heyman esteve disposto a percorrer para criar um produto superior aos seus concorrentes, enquanto esteve naquela posição.

#5: Explora os pontos fortes dos teus colegas

Paul Heyman representou lutadores como o já referido CM Punk, Brock Lesnar e mais recentemente, o europeu Cesaro. Em todas as situações, Heyman encontrou algo que faltava e conseguiu elevar as restantes personagens para um nível superior.

No Wrestling, a capacidade de falar ao microfone ou o carisma são atributos tão necessários quanto a qualidade de produzir dentro do ringue. Heyman consegue soltar o melhor de cada lutador, por avaliá-los a fundo e explorar apenas aquilo que sabe que os seus colegas conseguem entregar.

A compensação é tanta que, como consequência, todos os lutadores que são representados por ele parecem incrivelmente completos e não aparentam ter pontos fracos.

A lição: Nem sempre conhecemos as pessoas com que trabalhamos. Mas se alocarmos algum tempo a entender quem temos perante nós, entenderemos aquilo que cada um consegue oferecer e maximizaremos essas forças, elevando o produto final para um nível bastante superior.

#6: Manifesta-te mas, quando necessário, engole o orgulho

Para alguns, Paul Heyman tem a mente mais brilhante do Wrestling. Criou um projecto de culto que deixou marcas profundas nos fãs de Wrestling e irá para a história como uma das mais pessoas mais criativas que esteve nesta indústria.

Heyman é famoso por manifestar a sua opinião. Mas algo que nem sempre é valorizado é a sua capacidade de ceder quando sabe que há guerras que não vai ganhar.

Heyman era um grande peixe num pequeno lago. Uma boa percentagem de fãs de Wrestling idolatrava-o por completo e todos queriam ver este senhor à frente da WWE. No entanto, Heyman entrou como escritor, passou para comentador pouco depois e mais tarde ficou popular enquanto personagem dos programas semanais, mas nunca esteve à frente de nada.

Heyman com Cesaro

Ainda assim, aproveitou a oportunidade para continuar a deixar a sua marca num negócio que adora, mesmo se para todos os efeitos contasse como apenas mais um na máquina que é a WWE.

A lição: Às vezes, o sucesso pode-nos fazer mal à cabeça. E isso pode acabar por nos privar de fazer o que gostamos ou de continuar a fazer parte de um projecto. Heyman pode não ter agora a liberdade que tinha no passado, mas continua a contribuir para um negócio que adora, dando tudo o que pode como se o projecto fosse dele.

#7: Quando não podes competir com eles, faz diferente

Quando Heyman tinha o seu projecto, não procurava ter um produto idêntico à sua concorrência. Heyman não queria ser “só mais um” e optou por um nicho, onde o seu target era o verdadeiro fã de Wrestling, o fã mais hardcore.

O resultado? Um produto diferenciado, que nunca foi visto como uma ameaça directa à WWE (então WWF) mas que cativou o seu público e contou uma bela história, com um orçamento várias vezes inferior.

A lição: Isto é Marketing 101. Para sermos só mais um, nem vale a pena começar. Heyman ignorou o budget, ignorou as pessoas que lhe diziam que não seria capaz e criou um projecto que ainda nos dias que correm é cantado por vários fãs em cada arena por onde a WWE passa. Tudo porque escolheu um nicho.


Os anos passam e estou certo que continuarei a aprender muito com este senhor. Enquanto fã do seu trabalho, fico muito satisfeito em saber que este Verão ficará disponível o seu próprio documentário, produzido totalmente pela WWE.

Conhecendo Paul Heyman, certamente não desiludirá!

Fotografia:

Marketing - Nichos

Ninguém quer ser “só mais um”

Ninguém quer ser “só mais um” 620 350 Bruno Brito

Todos somos especiais. Ninguém quer ser só mais um. E na relação marca-consumidores, o sentimento de pertença nunca fez tanto sentido quanto agora.

Hoje reflecti sobre os produtos que consumo actualmente e sobre aqueles que consumia há 10 anos atrás e denoto que muita coisa mudou. Naturalmente, aos 30 anos tenho necessidades diferentes das que tinha aos 20 – mas o que constatei é que encontro, hoje em dia, soluções bem mais direccionadas a mim.

Produtos para aqueles 5% fazem mais sentido no mundo em que vivemos. Porquê?

A incrível variedade da oferta

Tomemos o exemplo das redes sociais. Ao início, visavam “juntar as pessoas”. O MySpace não era apenas para artistas (como é hoje) – era para todos. O Friendster ou o hi5? A mesma coisa.

O Facebook partiu com uma visão diferente – servir de directório para os universitários de Harvard. Hoje em dia é o gigante que todos conhecemos, mas já tem 10 anos.

Que serviços surgiram entretanto? Redes sociais de nicho. Redes para partilhar imagens (Instagram). Redes que unem músicos (Soundcloud). Redes para partilhar locais (Foursquare) ou para contar segredos (Whisper).

A oferta começou a ser muita. Foi necessária maior diferenciação para prevalecer. E cada vez mais surgem soluções desenhadas para satisfazer um pequeno número de pessoas.

Vamos partir para outro exemplo. Os ginásios já não são “todos iguais”. Não têm todos step, bodypump, halteres e passadeiras. Muitos já não focam “todas as pessoas, de todas as idades que se querem sentir bem”.

Começam a surgir os ginásios só para mulheres, ou para adeptos de crossfit ou de yoga. A diferença? São locais de nicho – mas com uma forte comunidade, um conjunto de pessoas que partilha interesses comuns e um maior sentimento de pertença ao projecto.

As vantagens

As vantagens (para o consumidor) são claras: acesso a um serviço ou produto bem mais dirigido às suas necessidades. Há muitos anos que ouço falar no “Marketing 1:1”, mas sempre me pareceu uma ideia que ficava bonita no papel e não passava de “wishful thinking”. Mas agora começo a acreditar que esse dia chegará. Porque quando estas marcas falam comigo, sinto que estão a falar realmente só para mim.

Estes negócios começaram também a fechar a porta a quem não está convidado para a festa. Para além de um produto mais adequado a nós, criado por um empreendedor que é (provavelmente) um grande fã do problema que pretende resolver, passamos a pertencer a um grupo de pessoas com valores similares e a uma marca com que nos identificamos realmente. Porque o problema é comum a todas estas pessoas… e estamos todos juntos nesta viagem para o resolver.

Só consigo praticamente ver negócios destes daqui para a frente. Pessoas mais envolvidas = mais feedback e entreajuda = um produto cada vez melhor. Todos ganham.

A simples conclusão

Se criar um negócio, vai ser de nicho. Vai ser a pensar em 100 pessoas, não em “todos”. Porque mais vale 100 vendas… do que nenhuma.

Como trabalhar mais depressa

3 dicas para trabalhar mais depressa

3 dicas para trabalhar mais depressa 620 350 Bruno Brito

O artigo de hoje é dedicado à arte de trabalhar mais depressa. Existem por aí milhares de apps que podem melhorar a nossa vida, mas nem sempre sabemos da sua existência ou do que são capazes de fazer (como a já mencionada e ainda tão desconhecida f.lux).

Estas dicas são especialmente úteis para quem passa o dia a abrir e fechar os mesmos programas, a alternar entre vários itens no seu clipboard e para quem perde sempre imenso tempo à procura dos ficheiros que acabou de alterar e gravar.

Vamos a isto!

Lançar aplicações

Passamos a maior parte do tempo agarrados ao teclado, mas quando chega a altura de lançar uma aplicação, temos de passar para o rato. Será que tal é necessário? Não. Podemos lançar qualquer app mais rapidamente se utilizarmos o teclado e uma aplicação como o Launchy (para Windows) ou o Quicksilver (para Mac) – são ambas gratuitas.

Launchy e Quicksilver

Estes programas funcionam de forma similar – configuramos uma Hotkey (como Ctrl+Barra de Espaço) e o programa surgirá, para digitarmos as primeiras letras da aplicação que pretendemos. O programa aprende com o uso que lhe damos, ao ponto de bastar carregar no “C” para lançar o Chrome ou “F” para o Firefox, se forem essas as apps que lançamos com maior frequência (no meu caso, o Filezilla).

Estas apps são capazes de mais, visto suportarem plug-ins. Podemos, por exemplo, utilizá-las para fazer contas rápidas (escusando de abrir a calculadora), para controlar uma playlist ou para efectuar uma pesquisa no Google ou na Wikipédia.

Um Copy/Paste melhorado

O Copy/Paste é uma invenção maravilhosa. Durante o dia, quantas vezes será que fazemos Ctrl+C e Ctrl+V? Mas o clipboard do sistema operativo é limitado – só guarda um item na memória e não tem histórico. E se quisermos recuperar aquele link que colámos há 1 hora atrás? E se quisermos alternar entre 3 ou 4 elementos diferentes para colocar informação num formulário?

É aqui que entram aplicações como o ArsClip (para Windows) e o ClipMenu (para Mac) – ambos gratuitos. Guardam todos os elementos que copiamos, sendo depois possível configurar uma Hotkey para lançar a aplicação e escolher qual dos elementos queremos colar agora.

O ArsClip e o ClipMenu

Para além de melhorar consideravelmente o Copy/Paste, estes programas podem também colar algo sem formatação (plain text) quando copiamos algo formatado e vão para além do armazenamento de texto – também podem guardar imagens ou outro tipo de ficheiros.

O ClipMenu até suporta snippets. Já falei na utilidade deles e dos Text Expanders para escrever mais depressa e este é um excelente complemento para esses programas.

Aceder rapidamente aos ficheiros recentes

Não sou propriamente a pessoa mais organizada do mundo quando chega a altura de guardar os meus ficheiros. Tenho várias pastas e sub-pastas, sim, mas a dada altura comecei a prestar cada vez menos atenção a isso.

A razão? A descoberta do Everything (grátis, para Windows) e do antigo Blast, agora Trickster ($9.95, para Mac).

Quando estamos a criar/editar ficheiros para um projecto, geralmente sabemos o nome deles (ou uma parte), apenas não temos a certeza onde os gravámos – ou simplesmente demora muito a lá chegar.

Para contornar esta situação, há 2 apps que recomendo.

Everything

O Everything é tudo o que a pesquisa para Windows devia ser – depois de indexar o disco rígido, podemos lançá-lo com uma Hotkey (eu gosto de Ctrl+Alt+F) para abrir a janela e iniciar a nossa pesquisa.

A diferença face à pesquisa do Windows? Não leva 3 horas a encontrar o ficheiro que procuramos, mas sim 1 segundo. Só sabemos a extensão do ficheiro? Não faz mal, podemos procurar por algo do género *.psd para visualizar apenas os ficheiros de Photoshop, por exemplo.

O Everything para Windows

O facto de ser super rápido permite um drag & drop instantâneo a qualquer momento, útil quando queremos arrastar imagens para o WordPress ou aquele MP3 que acabámos de gravar para o Soundcloud.

Para Mac, o melhor substituto não é o Trickster, que abordo a seguir. Na verdade, o mais parecido que encontrei foi o HoudahSpot, que obtive num bundle mas custa $29. O Spotlight (que vem com o OSX) não é mau, mas se precisares de algo mais robusto, provavelmente o valor será justo.

Blast/Trickster

O Blast fica ali quietinho no system tray do OSX e ao visitá-lo podemos rapidamente consultar os ficheiros mais recentes – sejam os que acabámos de fazer download, os que modificámos e gravámos ou os que acabaram de surgir no Dropbox.

Podemos abrir o ficheiro a partir dessa janela ou arrastá-lo para outra aplicação ou para a web. Com um clique no lado direito, podemos abri-los no Finder ou optar por outro tipo de acções.

O Blast para Mac

Não sei ao certo o que mudou neste programa desde que passou para Trickster, porque ainda utilizo a versão anterior, mas certamente não haverá de ser muito diferente.

Conclusão

Estas aplicações requerem alguma habituação ao início (especialmente a decorar as Hotkeys e a integrá-las no nosso workflow) mas, quando bem usadas, sem dúvida que nos poupam muito tempo em tarefas rotineiras. Recomendo vivamente todas – aliás, são essenciais para a escrita de todos os meus artigos.

Esqueci-me de alguma? Manifesta-te nos comentários!

Fotografia:

Logotipo Buffer

Conteúdo é Rei – o caso Buffer

Conteúdo é Rei – o caso Buffer 620 350 Bruno Brito
O Caso Buffer

Esta semana decidi abordar aquele que é para mim um dos melhores exemplos de Marketing de Conteúdos da actualidade: o Buffer.

O que é o Buffer?

O Buffer é uma (fantástica) aplicação para gerir redes sociais. A app permite partilhar posts em contas Facebook/Twitter/Google+/LinkedIn, tornando-se tremendamente útil para qualquer pessoa habituada a gerir diariamente várias redes sociais.

Mas o seu impacto vai para além da aplicação, que conta já com mais de 1 milhão de utilizadores. O projecto é uma autêntica inspiração para start-ups, pela cultura distinta da empresa e para bloggers, pela constante qualidade que apresenta em cada blog post.

Mas já lá vamos. Comecemos por aprofundar o produto.

Logotipo Buffer

Apresentando a Buffer app

O Buffer surgiu na mente do seu actual CEO, Joel Gascoigne, quando este ainda estava no seu quarto no Reino Unido. Joel gostava de partilhar artigos e frases inspiradoras no seu Twitter e queria fazê-lo com maior frequência, mas para tal necessitaria de agendar os tweets.

Na altura, as aplicações permitiam esse agendamento, mas era necessário inserir a data e hora da publicação – não era possível escolher simplesmente a opção “publica 5 vezes por dia”, que era o desejo de Joel.

Joel encontrou aqui uma lacuna do mercado.

Na altura já envolvido em start-ups (e fascinado pela abordagem de Eric Ries, conhecido pelo seu livro The Lean Startup), decidiu também ele próprio arrancar com um produto o mais básico possível, para validar a sua ideia.

Em baixo podemos ver a primeira landing page do Buffer.

Buffer - Como tudo começou

Em 2010, nasce assim o Buffer. Passados 4 anos, a aplicação cresceu e apresenta agora mais funcionalidades do que ao início.

As várias versões da aplicação

O Buffer apresenta-se sob 3 formas:

Aqui, a diferença recai sobretudo no número de contas permitidas, número de colaboradores que as podem gerir e conteúdos em fila. A versão gratuita permite gerir 3 contas, tornando-se a escolha óbvia para conhecer o produto e gerir as principais redes pessoais, como o perfil do Facebook, do Twitter e do LinkedIn.

Este é o meu dashboard, visto pertencer ao Awesome plan.

O meu dashboard do Buffer

Independentemente do plano, há funcionalidades comuns entre todos. Estas são as mais importantes:

  • escolher o horário de publicação de cada conteúdo;
  • ver o reach, número de clicks, comentários e likes de cada conteúdo partilhado;
  • publicar um conteúdo no momento, adicioná-lo à fila para a próxima vaga ou numa hora específica.

E a integração.

O Buffer está integrado em aplicações de leitura como as já mencionadas Feedly, Pocket e Reeder e extensão para Chrome. Tem ainda integrações com dezenas de outros serviços e encontra-se disponível para Android e iOS, tornando-se uma solução muito completa para qualquer fã de Social Media.

Apesar de ser a minha ferramenta de eleição de Social Media, o Buffer não é substancialmente diferente de tantas outras. Surge a questão:

O que tornou o Buffer tão popular no mundo online?

Resposta curta: os conteúdos.

Não 1 mas 2 blogs

Para o Buffer, comunicar é tão importante que é dos poucos projectos que conta não com 1, mas com 2 blogs. O Buffer Blog, dirigido aos profissionais de Marketing Online e o Open, onde levantam o véu sobre o que acontece internamente na empresa.

O Buffer Blog

Se considerarmos apenas Abril deste ano, os números deste blog são impressionantes: mais de 700.000 visitas únicas, ultrapassando 1 milhão de pageviews.

Aqui fala-se essencialmente de boas práticas de Social Media, mas não é raro encontrar dicas para conceber melhores conteúdos ou produzir mais.

Cada post é tremendamente bem redigido, sendo frequente gravar no Pocket para ler mais tarde. Nem sempre são leituras curtas (como é o caso deste artigo) mas é raro surgir um post que não seja relevante para o profissional de Marketing.

Alguns dos mais recentes artigos do Buffer blog

A maior parte dos artigos acumula num curto espaço de tempo centenas de partilhas e como a maior parte deles menciona o Buffer de algum modo, é natural que esta seja uma excelente forma (não-invasiva) de dar a conhecer o produto.

Alguns artigos que merecem sem dúvida uma vista de olhos:

O Blog é frequentemente actualizado – só em Abril, 20 artigos foram publicados, o que só reforça a importância desta plataforma na estratégia do Buffer.

O Open Blog

Menos importante na estratégia de angariação de novos clientes (mas sem dúvida muito benvindo) é o Open Blog, o local onde podemos saber um pouco mais sobre as 23 pessoas que trabalham no projecto, distribuídas um pouco por todo o mundo.

A equipa do Buffer espalhada pelo mundo

Para além de ficarmos a conhecer os colaboradores, podemos saber o que procuram em cada membro da organização (e entrar no seu popular Bootcamp de 45 dias), o que andam a ler e os valores da empresa, que podemos descortinar em baixo.

Buffer’s 6 Values, Version 2.0 from Buffer

Destes valores, destaco um: o da Transparência.

A importância da Transparência

“Default to Transparency” – é assim que o Buffer vive diariamente. Este será possivelmente o ponto mais polémico (e corajoso) do projecto – tudo é divulgado abertamente e sem rodeios.

Quando falham, informam-nos. Quantos utilizadores têm? Está aqui. Quanto é que cada um ganha? É só consultar os salários. Como é que a empresa está financeiramente? Não só temos acesso aos relatórios mensais (como este) como mais recentemente o Buffer aderiu ao Baremetrics para comunicar os resultados em tempo real.

Buffer no Baremetrics

Ao agir desta forma, uma coisa é certa: o mundo pode acompanhar os sucessos e falhanços deste projecto, sentindo-se ao mesmo tempo mais envolvido com a marca.

A posição de Content Crafter

Para além de uma Head of Content Marketing, a empresa contratou recentemente um novo membro para redigir conteúdos, de nome Kevan Lee. Kevan é o successor de Belle Beth Cooper, que recentemente abandonou esta posição no Buffer.

Poucas pequenas empresas se dariam ao luxo de recrutar alguém para se focar apenas nos conteúdos, mas o Buffer é sem dúvida uma delas. Neste link podemos ver o que procuram num profissional do género.

Buffer e as redes sociais

Seria estranho falar de uma aplicação de Social Media se a própria não marcasse presença (e desse o exemplo) nas principais redes.

Facebook e Google+

O Buffer no Facebook e no Google+ não diferem substancialmente.

Fazem questões e utilizam as plataformas sobretudo para enviar tráfego para os seus 2 blogs e para lançar questões para os seus fãs (e utilizadores).

Buffer no Facebook

No caso do Facebook, de destacar o número de reviews de 5 estrelas que os seus utilizadores dão à aplicação, que reflecte o gosto que a comunidade tem por esta app.

Os posts são curtos (como eles próprios aconselham) e as imagens são sempre partilhadas na dimensão certa, que mostra atenção ao detalhe, algo que seria de esperar de uma marca que actua neste negócio.

Twitter

É nesta rede que o Buffer brilha. Com consideravelmente mais seguidores do que no Facebook, é aqui que a maior parte do engagement ocorre, sendo frequente a resposta aos utilizadores, seja agradecendo o feedback seja esclarecendo dúvidas.

Buffer no Twitter

Dificilmente um tweet fica sem resposta, o que só mostra a preocupação desta marca em interagir com a comunidade.

A partilha de conteúdos nesta plataforma é também pensada de forma diferente. Como a maior parte do conteúdo do Buffer blog é intemporal (ou, como eles diriam, Evergreen) o conteúdo é partilhado com frequência, seja ele o último post ou um artigo redigido há 2 anos atrás.

Webinars

No passado dia 30 de Abril, a marca realizou o seu primeiro Webinar, dedicado ao Twitter (e com a ajuda de responsáveis da própria empresa). A iniciativa foi um sucesso e há 3 dias atrás aconteceu o segundo – inteiramente dedicado às funcionalidade do Buffer.

Este será certamente um canal a ser explorado nos próximos tempos pelo Buffer, mostrando o seu sentido de responsabilidade em ensinar as boas práticas de Social Media ao comum dos mortais.

O resultado do primeiro Webinar está em baixo.

O Serviço ao Cliente

Numa empresa tão transparente e tão comunicativa, é inevitável admitir que se trata de uma marca totalmente orientada para o cliente. Seja através de e-mail, tweet ou comentário numa rede social ou blog, a equipa do Buffer está lá, a ouvir, procurando sempre mais feedback.

O Buffer tem vários postos dedicados a este departamento. De Happiness Heroes a Community Champions, todos têm a mesma missão: satisfazer o utilizador. E a verdade é que a julgar pelo que testemunho diariamente no Twitter, poucos são aqueles com razão de queixa.

Conclusão

Podem-se retirar muitas lições desta pequena (grande) empresa. Uma marca claramente orientada para o serviço ao cliente e para os conteúdos, onde o sucesso do produto acaba por ser uma simples consequência do seu contributo para a comunidade.

A questão da trasparência, apesar de polémica para alguns, tem inspirado jovens start-ups e não será surpreendente se daqui a 10 anos tivermos mais conhecimento para além dos bastidores sobre as empresas a quem damos o nosso dinheiro mensalmente.

WhatFont para Google Chrome

WhatFont – que tipo de letra é aquele?

WhatFont – que tipo de letra é aquele? 620 350 Bruno Brito

Há uns anos atrás, a maior parte dos sites utilizava os mesmos 3 ou 4 tipos de letra: Arial, Verdana ou Georgia. No entanto, com o aparecimento das Google Fonts, em 2010, qualquer blogger ou designer passou a ter ao seu dispor um vasto leque de fonts à escolha, fáceis de instalar e a custo zero.

Com centenas de tipos de letra disponíveis, os sites começaram a ficar ainda mais diferentes entre si, sendo a escolha da font mais merecedora de atenção do que no passado.

Sempre foi possível ver qual a font utilizada analisando o código-fonte da página (ou utilizando uma extensão como o Firebug) mas essa tarefa tornou-se bem mais fácil com o WhatFont.

O WhatFont é uma espécie de Shazam para os tipos de letra: se encontrarmos numa página um tipo de letra que nos chame a atenção, bastará o clique na extensão (apenas disponível para Chrome) que rapidamente teremos acesso à font utilizada.

A extensão vai mais longe se clicarmos mais uma vez: dá-nos detalhes como o tamanho de letra, a cor e a altura da linha. Também nos dá a possibilidade de tweetar sobre um tipo de letra que gostámos, partilhando o URL onde foi encontrado.

BrunoBrito.PT com o WhatFont

Por fim, podemos clicar em várias áreas diferentes do website, que as janelas anteriores permanecerão abertas. Isto é útil se quisermos rapidamente anotar as escolhas de um site, para nossa própria inspiração – utiliza-o como ponto de partida nos teus projectos (e não para cópia, não te esqueças que copiar é feio)!

John Lee Dumas

Conteúdo é Rei – o caso John Lee Dumas

Conteúdo é Rei – o caso John Lee Dumas 620 350 Bruno Brito

O caso John Lee Dumas

Para muitos, 2014 é o ano do podcasting. Esta forma de apresentar conteúdos tem registado um crescimento enorme nos últimos anos mas parece que nos últimos meses em particular, toda a gente minimamente influente no seu nicho está a começar o seu próprio podcast.

A febre dos podcasts (uma junção de iPod com broadcasting) passou-me totalmente ao lado até meados de 2013 – a falta de acompanhamento visual preocupava-me. No entanto, é actualmente uma das minhas formas preferidas de consumir conteúdo.

Um dos grandes responsáveis por essa mudança – e indiscutivelmente o Rei dos Podcasts dos dias de hoje – é o senhor John Lee Dumas.

Quem é John Lee Dumas?

Até há bem pouco tempo, John Lee Dumas era um completo desconhecido no mundo online. O percurso deste americano, natural do estado de Maine, é feito essencialmente de experiências e de fracassos, como o próprio admite.

John Lee Dumas

Actualmente na casa dos 30, John Lee Dumas passou uma boa parte da sua vida a conhecer-se e a descobrir o que o inspira. Depois da universidade, que terminou aos 22 anos de idade, seguiu para o exército, onde passou 13 meses no Iraque.

Esteve em actividade durante 4 anos e terminado ese compromisso, John Lee Dumas passou para a reserva – expandindo os seus horizontes mais um pouco, ao deslocar-se para a Guatemala durante 4 meses.

Após o seu regresso, decidiu seguir o percurso do seu pai e inscreveu-se no curso de Direito – sol de pouca dura, visto que desistiu assim que o 1º semestre terminou, apesar das boas notas.

John Lee não tem qualquer vergonha em desistir, porque como refere:

“It takes a lot of courage to quit”.

Devido ao seu gosto pelos números, a experiência seguinte de John Lee passou pelas Finanças, onde arranjou rapidamente um emprego onde fazia 6 dígitos por ano. A inspiração no trabalho era 0, mas tal não preocupava John – estava conformado com a ideia.

Esta poderia ter sido a sua grande carreira, mas o seu chefe decidiu incentivar a sua equipa, anunciando que quem não estivesse inspirado que saísse. Apesar de não ser essa a intenção do seu superior, tal deixou John a pensar e, surpreendendo tudo e todos, a sua saída não se fez esperar. Aos 29 passou para vendas numa start-up, onde ficou meio ano.

Durante todo este processo, John Lee Dumas esteve um pouco por todo o lado, passando por grandes cidades como Boston ou Nova Iorque. Mas, ao chegar aos 30, decidiu arrancar para San Diego.

Assim que chegou, aliciado pelas elevadas comissões das imobiliárias, deu uma hipótese ao mundo dos imóveis. Durante esse período, devido à quantidade de tempo passado no carro, nos transportes públicos e no ginásio, John Lee Dumas virou-se para os podcasts para passar o tempo. Só havia um problema: não havia conteúdo suficiente para o satisfazer.

A maior parte dos podcasts que John Lee Dumas seguia tinham episódios novos de 2 em 2 semanas ou até de mês a mês. Rapidamente ficava sem algo para ouvir – e frequentemente pensava que seria capaz, ele próprio, de criar este tipo de conteúdo, por vezes até melhor que os restantes.

Aos 32 anos, já de regresso a Maine, John Lee Dumas percebeu o que queria fazer – descobriu, como ele diria, o seu “AHA” moment. Encontrou dentro de si o espírito empreendedor e seria ele próprio a mudança que queria ver no mundo: para colmatar a ausência de conteúdo, lançaria um podcast diário, intitulado Entrepreneur On Fire.

O que é o “Entrepreneur On Fire”?

A ideia era, na altura, encarada como uma absoluta loucura. Um podcast sobre empreendedorismo 7 dias por semana, 365 dias por ano. Todos os dias haveria um novo episódio – até no dia de Natal.

John Lee Dumas aconselhou-se junto a muita gente antes de começar esta jornada. Recebeu muitos conselhos e, no que toca à frequência, a opinião era unânime:

“Ninguém é capaz. Não vais conseguir. 1 podcast por dia é impossível. E ninguém o vai ouvir.”

Na verdade, 90% dos podcasts não passam do episódio 7. Mas John Lee Dumas decidiu fechar os olhos e seguiu em frente. E procurou uma mentora.

Também natural de Maine e também ela reconhecida pelos seus podcasts (Eventual Millionaire), Jaime Tardy motivou, ensinou e inspirou Dumas a avançar com o seu projecto.

Dumas foi a a uma conferência em Nova Iorque (Blogworld), onde a sua mentora seria oradora e rapidamente criou laços tremendamente valiosos, com pessoas que acabariam por ser os seus primeiros convidados para o podcast.

Naquele que John Lee descreve como o seu “Summer of Fire”, entre Junho e Agosto de 2012 Dumas aprendeu tudo o que havia a aprender sobre a arte do podcasting e produziu 40 episódios, que serviriam como arranque para esta aventura.

Quase 2 anos depois, o Entrepreneur On Fire é um dos mais populares podcasts do universo (distinguindo como Best of iTunes 2013), tendo já entrevistado celebridades do mundo do empreendedorismo e gestão como Seth Godin, Tim Ferriss ou Gary Vaynerchuk e contando com presenças nas revistas Inc. e Time.

Rei dos Podcasts… e dos automatismos

Para produzir um podcast por dia, John Lee sabia que teria de adquirir enormes automatismos. Mesmo com 40 episódios em carteira, rapidamente ficaria sem conteúdo se não conseguisse descobrir formas de produzir depressa e bem.

Logotipo Entrepreneur on Fire

O podcast em si é um exemplo disso, passando cada episódio por estes 5 segmentos:

  1. Sucess Quote: uma frase de sucesso sugerida pelo convidado, com o intuito de inspirar o ouvinte e marcar o ritmo para os próximos 30 minutos;
  2. Business Failure: o relato de alguns dos insucessos do convidado, típicos do empreendedorismo;
  3. Entrepreneurial AHA Moment: o momento em que tudo fez sentido para o convidado e que o fez ir em frente;
  4. Current Business: o estado do negócio actualmente;
  5. Lightning Round: perguntas de resposta rápida, incluindo a famosa “estás numa ilha com apenas $500, o que farias?”

Apesar da fórmula relativamente rígida, o conteúdo é sempre valioso e este percurso ajuda até o ouvinte a saber em que fase do podcast se encontra. Para além disso, John Lee é flexível o suficiente para conduzir a conversa sem parecer que está apenas a seguir um guião.

Mas os automatismos vão muito para além disto. Desde o e-mail inicial a convidar o empreendedor, passando pelas instruções dadas ao convidado antes da gravação ou pelo follow-up para posterior partilha do produto final, tudo foi pensado ao pormenor, como se de uma máquina se tratasse.

Só assim John Lee Dumas consegue cumprir a loucura que faz todas as segundas-feiras da semana: gravar 8 entrevistas num só dia.

Os restantes dias da semana não são passados na praia – John Lee Dumas é alguém que trabalha 70 a 80 horas por semana. Os restantes dias são passados a editar os episódios, a promovê-los, a pesquisar por novos convidados e a operar as restantes partes do negócio – porque actualmente, o EOFire é muito mais do que apenas 30 minutos de audio.

Muito mais do que um podcast

Quando começou, John Lee tinha algum dinheiro posto de parte e deu a esta experiência 18 meses para dar certo – na verdade, os resultados do seu trabalho chegaram bem mais cedo.

John Lee Dumas esperou até ter 6 meses e bastantes milhares de downloads acumulados para abordar patrocionadores. Os patrocínios são essenciais para a subsistência do podcast mas John Lee quis garantir que tinha uma comunidade sólida e os parceiros certos antes de avançar para a monetização. Em cada episódio podemos ouvir 2 marcas patrocinadores em 2 instantes diferentes do podcast.

Actualmente, à semelhança de um dos seus heróis Pat Flynn, John partilha as receitas mensais com a sua comunidade (intitulada Fire Nation), onde descreve com total transparência a origem de cada dólar.

Os valores deste projecto não são (nada) tímidos: só este ano, John Lee Dumas já arrecadou mais de 460 mil dólares líquidos. A este ritmo, tudo indica que ultrapassará 1 milhão de dólares só em 2014.

Para além dos patrocínios, existem outras formas de receita. John Lee Dumas é também ele um mentor, tem um programa de Mastermind (de nome Fire Nation Elite), escreveu um ebook intitulado Podcast Launch e tem vários programas de afiliados.

Mas a maior fatia da receita não vem daqui. No relatório de Março de 2014 podemos verificar que mais de metade do dinheiro vem de outro projecto relacionado: Podcasters’ Paradise.

Podcasters’ Paradise

Quando John Lee Dumas começou, não havia propriamente uma comunidade de podcasters ou bons tutoriais que ensinassem as melhores práticas – esta foi outra lacuna que a voz do EOFire quis resolver, criando este site.

Podcasters' Paradise

Este paraíso não é barato – actualmente, uma licença vitalícia custa $1,197.00 – mas tal compromisso mostra a confiança que a Fire Nation tem no seu líder. O preço ao início era consideravelmente mais baixo mas tem vindo a subir, sem aparente impacto no número de adesões.

Impressionados com o poder do podcasting e com as capacidades do mestre (e convencidos face aos resultados económicos que este alcançou), todos os meses dezenas de pessoas juntam-se a esta comunidade, com mais de 100 vídeos e um fórum bastante dinâmico.

John Lee Dumas e as redes sociais

Sem surpresa, John Lee está nas mais variadas redes, mantendo-se em contacto frequente com a sua Fire Nation.

Facebook

Apesar de John Lee ter uma página pessoal, o destaque vai claro para a página do Entrepreneur On Fire, que já conta com mais de 13 mil fãs. Com mais de 80 ratings e uma média de 4.8, esta página demonstra bem o carinho que a Fire Nation tem pelo trabalho deste senhor.

Entrepreneur On Fire no Facebook

O objectivo desta página é sobretudo canalizar tráfego para os mais recentes episódios disponíveis, mas também podemos contar com algumas frases inspiradoras e fotos exclusivas da sua equipa.

Twitter

Apesar de registar mais seguidores aqui do que no Facebook (mais de 20 mil) e de marcar presença com o seu nome verdadeiro @johnleedumas, o objectivo principal não é diferente: levar a comunidade para outros episódios do EOFire ou para o próximo Webinar do Podcasters’ Paradise.

John Lee Dumas no Twitter

Aqui, o engagement é consideravelmente maior: é frequente ver os retweets e respostas de John Lee, desde agradecimentos a respostas de utilizadores que precisam de ajuda.

Webinars (e o WebinarOnFire)

Todas as semanas John Lee Dumas entrega um Webinar gratuito, na esperança de convencer os mais hesitantes a registarem-se no Podcasters’ Paradise.

Aqui, John Lee pergunta aos presentes quais as maiores preocupações e dúvidas, procurando satisfazê-las o melhor que sabe – dando uma espécie de amostra do que o seu projecto é capaz de oferecer.

Mas não se ficou por aqui: esta plataforma tem convertido tão bem para John que o motivou a começar mais um projecto – WebinarOnFire – onde oferece também aí um Webinar gratuito semanal, explicando como conduzir um Webinar e convertê-lo em vendas.

Este é o produto mais recente de John Lee Dumas e, a julgar pelos restantes, dificilmente desiludirá.

Soundcloud

Tratando-se o EOFire de um podcast, está naturalmente presente na maior parte das plataformas de audio. No seu SoundCloud podemos ouvir os já mais de 500 episódios, à semelhança do que acontece se visitarmos a página do iTunes ou do Stitcher.

Entrepreneur On Fire Soundcloud

O número de seguidores aqui é também bem mais impressionante: mais de 250 mil.

Outros podcasts

Para amplificar a sua mensagem e para ajudar outros podcasters, John Lee Dumas conta com inúmeras aparições noutros podcasts.

Na verdade, John Lee tem tanto gosto em ajudar os seus colegas que todos os sábados faz 8 entrevistas, concedendo 25 minutos a cada entrevistador ou até mais. Um bom exemplo de alguém que não esquece as suas origens e que quer devolver à comunidade aquilo que lhe foi dado quando estava a começar.

Alguns exemplos dessas dezenas de presenças:

Conclusão

O sucesso de Dumas não foi por acaso – foi fruto de muito trabalho, explorando uma lacuna clara que existia no mundo dos conteúdos e adaptando-se constantemente ao que a sua audiência pedia. Num caminho em que o “medo” é uma constante, John Lee Dumas é alguém que inspira e lidera empreendedores.

John Lee Dumas a combater tubarões

O seu programa traz-nos inspiração diária, ao mesmo tempo que nos apresenta agradavelmente um novo empreendedor, um novo negócio, uma nova frase e um novo livro. Os patrocínios não são invasivos e não estragam a experiência do programa.

A Fire Nation continua a apoiar a aventura invulgar deste empreendedor e muitos procuram dar continuidade ao movimento, seguindo também eles próprios os seus sonhos.

Este é um excelente exemplo de como o conteúdo pode inspirar pessoas e como a comunidade pode ser monetizada, quando explorada devidamente por um mestre como John Lee Dumas. E, indubitavelmente, a prova de que o podcasting está aqui, tem muito a oferecer e deve ser encarado com grande seriedade por qualquer profissional de Marketing.

Apps para ler online

As melhores ferramentas para ler na Web

As melhores ferramentas para ler na Web 620 350 Bruno Brito

Na Internet, já se sabe, o Conteúdo é Rei. Todos os dias nos cruzamos com algo imperdível, seja ele um vídeo hilariante ou um artigo que nos faz pensar.

Na verdade, 24 horas são uma eternidade no mundo online. Vamos começar por 60 segundos e pedir ajuda ao estudo Data Never Sleeps para ter uma ideia do que acontece nos mais populares serviços da Web neste período de tempo:

Infográfico Data Never Sleeps

Impressionante, certo? Nem todo o conteúdo é relevante para nós, mas ao final do dia é inevitável que no meio de tanta coisa surja algo que nos chame a atenção.

Os hábitos são diferentes de indivíduo para indivíduo. Alguns gostam mais de ler, outros de ver vídeos e outros de passear pelas redes sociais. Algumas pessoas visitam 40 sites por dia, organizados meticulosamente nas suas várias pastas de Bookmarks/Favoritos, outros ficam-se pelo Facebook ou pelo YouTube a maior parte do tempo. Mas, com o tempo, acabamos por acumular uma pequena lista de sites favoritos e que gostamos de visitar de forma rotineira.

Quando a lista de sites a acompanhar atinge um número considerável, é provável que surjam 2 problemas:

  • Deixamos de visitar alguns sites, porque a lista é já demasiado extensa;
  • Um artigo imperdível acaba de ser publicado, mas agora não é boa altura e acabamos por nos esquecer de o consultar depois.

As apps que refiro em baixo surgiram para solucionar estes 2 problemas. Vamos conhecê-las.

Leitor de RSS: Feedly / Reeder

Em Julho de 2013, a Google encerrou um serviço bastante popular: o Google Reader. O Google Reader era um leitor de feeds RSS.

O que são RSS?

RSS, ou Real Simple Syndication, é simplesmente uma forma de uma pessoa subscrever a um site para ser informada quando novos conteúdos são lá colocados. No fundo, é uma excelente forma de acompanharmos os nossos sites preferidos sem abrir dezenas de tabs todos os dias para saber se há novidades em cada um.

O que é um leitor de feeds RSS?

Há dezenas de leitores por aí, mas todos funcionam de forma similar – lembram até um programa de e-mail como o Outlook. Podemos agrupar os sites por pastas e visualizar todos os títulos dos artigos à esquerda, clicando depois no título para o ler na íntegra à direita.

Os artigos novos surgem quase em tempo real, rotulados como artigos por ler. À medida que os formos consultando, aqueles que já foram lidos vão desaparecendo da lista, muito como acontece no e-mail.

Pegando no antigo leitor da Google, um leitor RSS é algo deste género:

O antigo Google Reader

A terminação do Google Reader ainda hoje me faz confusão. Vários serviços ofereciam alternativas interessantes, mas ainda assim era um programa que muitas pessoas utilizavam com a mesma frequência que o Gmail.

Depois deste comunicado, vários serviços reuniram esforços para conquistar todas estas pessoas que ficaram, de repente, sem leitor de RSS, melhorando consideravelmente as suas aplicações.

Estas são 3 das mais populares, todas elas utilizadas por mim em diferentes dispositivos.

Feedly

O Feedly já cá estava há algum tempo e quando a notícia surgiu foi provavelmente o projecto que mais se mexeu para ganhar novos utilizadores. Depois da Google ter dado as más notícias, o Feedly angariou qualquer coisa como 3 milhões de novos utilizadores em cerca de 15 dias.

O Feedly existe sob 2 formas: gratuito ou pago ($5 por mês ou $45 por ano). Para o comum dos mortais (e mesmo para a maior parte dos utilizadores mais hardcore), a versão gratuita chegará para tudo o que necessitam.

As funcionalidades pagas, como a integração de alguns serviços, notícias publicadas mais depressa ou a pesquisa são desnecessárias para a maioria dos utilizadores e é sobretudo uma forma de os heavy users apoiarem a existência do movimento Feedly.

O Feedly, o leitor de RSS mais popular da actualidade

Este projecto é um pouco mais importante que os outros 2 que mencionarei, pelo seguinte: o Feedly desenvolveu toda uma estrutura para suportar os RSS, agora que a Google os descontinuou. As restantes apps ligam-se ao Feedly para aceder à lista de sites que seguimos.

O Feedly tem um design minimalista e rapidamente nos sentimos ambientados ao interface. Podemos fazer sign-up com a conta Google/Facebook/Twitter/Microsoft e adicionar sites a partir daí, seja através de “Add Content” ou com esta extensão para Chrome, demonstrada em baixo.

Adicionando um site no Feedly

Para mim, estas são as grandes vantagens do Feedly:

  • tem uma excelente integração de serviços, útil para partilharmos artigos nas principais redes ou para gravarmos o conteúdo noutros programas, como o Evernote;
  • está disponível para Android, iOS e para qualquer browser, tornando-o uma excelente opção em qualquer dispositivo.

Para a maior parte das pessoas, utilizar este serviço chegará. Mas como existem outros bons leitores de RSS, aqui fica outro.

Reeder

Uso o Feedly em Windows, mas se estiver no meu Macbook Pro passo de imediato para o Reeder. O Reeder era um programa fantástico até à morte do Google Reader, ficando a partir daí inactivo… até há 2 semanas atrás.

A versão beta do Reeder 2 foi divulgada via Twitter e apesar de ainda estar a dar os primeiros passos, é já (novamente) a minha primeira escolha quando estou no universo do OSX.

Reeder na nova versão beta para Mac

Aqui, acaba por ser uma questão de preferência. Já estava muito habituado à 1ª versão da aplicação e pagarei com todo o gosto este update quando sair do Beta. Até lá, não custa nada experimentar – afinal de contas, é grátis.

E não é só para Mac. O Reeder também existe para iOS, custando 5 dólares.

Ler mais tarde: Pocket

Existem várias aplicações deste género: para além do Pocket (gratuito, antes conhecido por Read It Later), também podemos optar pelo Instapaper (pago), por exemplo.

Todas executam o mesmo: gravam artigos na íntegra, para lermos mais tarde, tirando-lhe toda a formatação desnecessária do site em que se encontra. Todas suportam Android, iOS e os browsers mais populares. Portanto será, essencialmente, uma questão de gosto.

Há bastante tempo que utilizo o Pocket e é sem dúvida uma aplicação muito útil para arquivar aqueles artigos que parecem apelativos mas por serem longos ou por estarmos com pressa, optamos por ler mais tarde.

O design da aplicação é uma maravilha, especialmente para telemóvel – é tão bonito que rapidamente se tornou uma das minhas aplicações mobile preferidas.

O Pocket no Nexus 7

O Pocket pode-nos separar os conteúdos por artigos/imagens/vídeos, fazer pesquisas e criar tags. Podemos mudar o tamanho da letra, as cores e enviar artigos para amigos facilmente. Como se tal não bastasse, ainda nos sugere artigos pela popularidade ou por leituras longas, acedendo à nossa lista de artigos por ler.

As integrações não faltam – podemos, por exemplo, encontrar um artigo no Feedly no desktop e gravá-lo no Pocket para o lermos mais tarde no telemóvel (e offline)!

O Processo Criativo

Os 8 passos do Processo Criativo

Os 8 passos do Processo Criativo 620 350 Bruno Brito

Este é um tópico engraçado. Apesar de não ser imediatamente associado ao Marketing, é inegável que alguns dos maiores profissionais do ramo são também tremendamente criativos – nem que seja pelo hacking, conforme referido num artigo anterior.

Quase todo o ser humano gosta de criar, mas não criamos todos o mesmo. Apesar de ser algo tão universal, o processo criativo é uma das coisas mais pessoais que podemos ter; afinal de contas, mesmo com normas relativamente rígidas, dificilmente 2 pessoas seguirão o mesmo caminho e apresentarão o mesmo produto.

Esta é a primeira lição que se pode retirar e ainda estamos na introdução: o Processo Criativo varia de pessoa para pessoa. Mas apesar de ser algo individual, penso que há alguns ensinamentos que se podem aplicar a qualquer criação e que valem a pena ser partilhados.

O meu caso pessoal

As minhas criações são um espelho dos meus principais interesses. Já produzi algumas músicas (exemplos aqui) e há já vários anos que entrego noutro site meu, do meu alter ego DJ Bammer, um mix por mês. Para além de pegar em sons, também gosto de pegar em palavras – prova disso é este blog ou os meus artigos publicados no site da maior comunidade de Wrestling de Portugal, o Wrestling.PT. Falando em Wrestling, fui durante vários anos treinador e lutador de Wrestling– essa função obrigava-me a produzir treinos e combates todas as semanas, onde a criatividade era sempre posta à prova.

Estes são apenas alguns exemplos. Apesar de escrever ser obviamente diferente de produzir música ou de entrar no ringue, há muita coisa em comum. Este artigo serve para partilhar algumas das aprendizagens, ao mesmo tempo que descrevo o meu próprio processo criativo.

Os 8 passos

Em qualquer um daqueles 3 exemplos, o meu processo passa quase que obrigatoriamente por estes 8 passos:

  • #1: O que motivou a criação
  • #2: O factor “história”
  • #3: O roubo
  • #4: O toque pessoal
  • #5: O tempo de reflexão
  • #6: O aperfeiçoamento
  • #7: O lançamento
  • #8: O que se aprendeu

Dependendo do prazo e do projecto, este processo pode demorar 30 minutos ou vários anos. Vivemos num mundo cada vez mais “em beta”, onde tudo é um work in progress – com cada vez maior frequência ouço histórias de bloggers que publicam artigos sem qualquer revisão ou de programadores que lançam apps cheias de bugs simplesmente para chegar primeiro ou para testar a aceitação do mercado. A revisão vem depois.

Este imperfeccionismo já é tão popular que é até visto por muitos como uma forma mais inteligente de trabalhar, mas discutir este tópico vai para além do âmbito do artigo de hoje – as boas notícias é que mesmo num prazo apertado, cada vez temos mais oportunidades de melhorar a nossa criação depois desta ter sido publicada.

Tempo agora de resumir o que acontece a cada passo do processo. Como passamos de uma folha em branco para o produto final?

Folha de papel vazia

#1: O que motivou a criação

Criei este blog para ajudar profissionais de marketing e para melhorar a minha escrita. Comecei a partilhar os meus DJ mixes porque havia demasiada música boa que queria que o mundo conhecesse. Entrei no ringue porque queria seguir as pisadas dos meus heróis.

Em todos os casos existiu um motivo. Algo que me incentivasse a alocar esse tempo à realização de uma tarefa em detrimento de outra – a fazer música em vez de pintar, por exemplo.

Nem sempre as nossas motivações são fortes e nem sempre são nossas – pode ser simplesmente o nosso trabalho, queiramos ou não. Mas haverá sempre uma razão para que este processo se desenrole.

#2: O factor “história”

Nunca fui grande fã de estudar história, mas quando criamos algo devemos fazer um esforço por entender o que veio antes de nós. Alguns chamam a isso “trabalho de pesquisa” e nem sempre ficam entusiasmados com a ideia, enquanto que outros adoram esta fase por ser um período de consumo ou por serem fãs da temática.

Se me pedissem para escrever um artigo sobre energia nuclear dificilmente estaria ansioso por começar a minha pesquisa. Não seria certamente a isso que dedicaria as minhas horas livres. Mas gosto de ler, de ouvir música e de ver combates de Wrestling, daí ser fácil para mim produzir algo relacionado com estes tópicos – estou familiarizado com a história e é fácil ser inspirado pelo que foi feito antes de mim.

“If you don’t have time to read, you don’t have the time (or the tools) to write. Simple as that.” – Stephen King

Nunca começamos do 0 – há sempre alguém que veio antes de nós que abriu portas para onde estamos agora. Mesmo aqueles que quebram correntes e pensamentos antigos tiveram primeiro de os conhecer para depois colocar tudo em causa. Este ponto de partida é importantíssimo.

#3: O roubo

Já dizia Pablo Picasso:

“Good artists copy, great artists steal.”

E esses roubos nem sempre são vistos com bons olhos. Mas a verdade é que há uma diferença entre ser uma cópia, um ripoff de alguém e retirar alguns elementos que nos inspiram e que queremos aprofundar na nossa abordagem criativa.

Nunca devemos copiar alguém – não há qualquer incremento de valor se apenas pegarmos em algo e fizermos copy/paste – nem nos dará qualquer gozo. Mas podemos e devemos aprender com aqueles que vieram antes de nós, roubar de cada um aquilo que nos chamou a atenção e desenvolver essas ideias.

Até podemos ir mais longe – tudo é um remix. O vídeo em baixo, de uma Ted Talk de Kirby Ferguson, responsável por esse site, é um bom exemplo disso mesmo.

Este é um passo fulcral, que de certo modo contribui na definição do nosso estilo enquanto artista. O meu próximo livro a ler aborda precisamente este tema: “Steal Like an Artist”, de Austin Kleon.

#4: O toque pessoal

Este passo pode nem ser o mais demorado mas será aqui que deixaremos a nossa marca. O trabalho de casa está feito e agora é tempo de lhe dar o nosso toque (ou, como alguns dizem, criar).

Aqui damos basicamente o nosso twist a algo que já existe – o nosso próprio remix. Certamente não sou a primeira pessoa a escrever no seu blog sobre este tema. Mas será que alguém já escreveu sobre este tópico, em Português, apelando à sua experiência enquanto DJ e lutador de Wrestling? Pouco provável.

Pegamos em tudo o que conhecemos, tudo o que nos inspira, tudo o que já foi feito e que pretendemos homenagear e misturamos tudo isso com a nossa identidade – o resultado final será algo que podemos chamar de nosso.

Pessoalmente, gosto de “deitar tudo cá para fora” nesta fase – experimentar todas as ideias, escrever tudo o que me vai na cabeça, sem julgar de imediato. Haverá uma altura para isso, mas não será já.

#5: O tempo de reflexão

Se tivermos o luxo do tempo, o próximo passo será o de reflexão. O que acabámos de criar fica “de molho”, para revisitar mais tarde.

Quando faço um mix, gosto de guardar o projecto e de não pensar mais nisso até ao próximo dia. No dia seguinte, se depois de o voltar a ouvir ainda fizer sentido, gravo em mp3 e levo-o no telemóvel para o autocarro, para o ginásio ou para o trabalho e vejo se continua a fazer sentido aí.

Acontece o mesmo com a escrita. Nunca publico um artigo no dia em que o escrevo. Às vezes fica no computador 1 dia, 1 semana ou 1 mês até voltar a ser lido.

Muitas vezes, o desafio está em conseguir encarar algo com orgulho depois de termos saído do buraco em que nos enfiámos para o criar. Se sobreviveu ao teste do tempo e estamos satisfeitos com o que acabámos de fazer, então temos boas chances de ter produzido algo com qualidade.

#6: O aperfeiçoamento

Depois de darmos o passo anterior, muitas vezes verificamos que é necessário aperfeiçoar alguns aspectos da nossa criação.

Por aperfeiçoamento pode-se entender todo o tipo de ajustes: no caso da escrita, podemos corrigir eventuais erros ortográficos, editar a formatação ou verificar se as ideias representam aquilo que queríamos comunicar e se o produto final nos parece honesto e fiel ao pretendido no passo #1.

Pessoalmente, não sou grande fã de aperfeiçoar antes de chegar aqui, mas como já disse, o processo de cada pessoa é diferente – há quem goste de ir editando o texto à medida que o escreve, por exemplo.

O mesmo acontece na música, quando verifico os níveis de volume ou a equalização na passagem de uma música para outra, ou quando corro os combates que estou prestes a ter na minha cabeça para entender se farão sentido face à audiência que está para lá do balneário. É aqui que surgem as nossas questões e as melhorias, o tal fine tuning.

Nesta fase (e especialmente quando não existem prazos) as barreiras mentais são o verdadeiro alvo a abater – poderia levar 1 vida a encontrar as 12 músicas perfeitas para um mix. Poderia dedicar 10 anos a editar uma frase de 5 palavras. Mas aí corremos o risco de acabar por nunca lançar o resultado cá para fora. De certa forma, estabelecer um prazo ajuda a superar este conflito.

Há quem todos os dias sente que há algo que deve ser editado e quem edite um dia e nunca mais pensa nisso.

É um ponto de equilíbrio difícil de gerir, mas temos de conseguir (pelo menos) superar aquele desconforto de dar uma obra como terminada e desligar-nos emocionalmente desse projecto e avançar.

Há uma altura em que temos simplesmente de carregar no botão de lançamento e passar ao desafio seguinte.

Yay - tempo de lançar

#7: O lançamento

E pronto. Pode levar apenas alguns minutos ou pode levar décadas, mas finalmente é tempo de mostrar ao mundo aquilo que andámos a fazer.

Por vezes temos prazos apertados e lançamos algo que consideramos “imperfeito”. Nem sempre o produto final está 100% em linha com o que aspirávamos no passo #1. Mas este dia tinha de chegar e é tempo de pensar onde vamos a seguir, dando entretanto um olhinho à aceitação da nossa audiência (se for caso disso) no que toca a esta criação.

Muitos não chegam até aqui, pelo que devemos estar sempre de parabéns quando temos algo novo pronto a lançar!

#8: O que se aprendeu

O processo de criação enriquece-nos sempre. Às vezes sentimos uma enorme satisfação pelo simples facto de termos terminado algo, por acharmos que não seríamos capazes de alcançar tal proeza ou por termos aprendido coisas que desconhecíamos sobre nós pelo caminho. Mas nunca saímos de lá iguais.

Vale sempre a pena… e muitas vezes a viagem é mais emocionante que a conclusão.

“Focus on the journey, not the destination. Joy is found not in finishing an activity but in doing it.” – Greg Anderson

São lições que retiramos também para criações futuras – porque nunca sabemos quando é que aquele post se vais transformar num livro, ou aquele mix pedirá uma actuação a condizer. Poderá nunca ser a obra perfeita, mas para lá caminhamos após cada falhanço.

Considerações finais

Esta é a minha receita para criar – certamente não será muito diferente do meu vizinho, mesmo que se aplique à pintura ou à escultura. Espero que faça sentido e inspire outros criadores!

Gostaria ainda de aproveitar para sublinhar 2 fortes lições relacionadas com este tópico e com o suposto “perfeccionismo” que tanta vez ataca o criador: a história da musa e o mito das ferramentas.

A história da musa

Muitos criadores querem ser escritores a tempo inteiro, mas não o encaram como uma profissão – não lhe dedicam 8 horas por dia nem escrevem todos os dias da semana. O mesmo se poderá dizer de muitos aspirantes a músicos, por exemplo.

A maior parte destes senhores está à espera que a musa lhes bata à porta, pois nesse dia tudo acontecerá – o livro será escrito num ápice, a música será produzida numa tarde e a tal pintura perfeita surgirá naturalmente.

O problema é que nestas profissões, o tempo e o trabalho também importam. Não são golpes de sorte – pelo menos em 99% dos casos – e os dividendos só surgirão para aqueles que dão a cara diariamente.

Se acreditas numa musa e queres que ela te bata à porta, pensa que terás mais chances de tal acontecer se quando ela for a tua casa estiveres já no computador a trabalhar, em vez de sentado no sofá a ver televisão.

Se não estiveres a trabalhar, a musa vai ver que hoje não é um bom dia para te incomodar e vai deixar-te em paz com o teu programa, seguindo até à porta de outra pessoa que está a acumular mais horas à frente do processador de texto do que tu.

Basicamente, a musa só inspira quem merece.

O mito das ferramentas

Uma excelente desculpa para não começar é a da falta das ferramentas certas. Por exemplo, na produção musical é frequente o debate de qual o melhor DAW (Digital Audio Workstation) e eu próprio perdi muitas horas a ler sobre todas as diferenças entre o Ableton Live, o Logic e o Fruity Loops, em vez de as dedicar a fazer música.

O mesmo se pode aplicar à escrita. Será melhor escrever no Notepad, no Word ou no SublimeText? Não são só palavras e juntá-las?

A maior parte dos criadores com sucesso dominaram a arte de fazer e não a ferramenta – não se importam de passar para outra, se os benefícios para o seu trabalho forem claros, mas a ferramenta é apenas um meio para chegar a um fim; não é “o” trabalho.

Não é por escrevermos com uma caneta azul que deixaremos de saber escrever se passarmos para uma de cor preta. Ou se escrever à máquina em vez de à mão. Ou se usar o Word em vez do Notepad. E o mesmo acontece em qualquer outro caso.

Vivemos num mundo com demasiada oferta: se queremos uma app que faça x e se precisarmos de uma outra app que acrescente y, descobrimos que ambas já foram criadas. Mas cada hora dedicada a consultar fóruns sobre qual a melhor é menos uma hora a fazer o que realmente importa.

Ainda neste tópico, não subestimes o poder da limitação – quanto mais rudimentar for a tua ferramenta, quanto mais limitado estiveres, maiores serão as tuas chances de te focares naquilo que realmente importa: criar.

LastPass

LastPass – a única password que vale a pena decorar

LastPass – a única password que vale a pena decorar 620 350 Bruno Brito

Na passada semana, a Internet andou em estado de alerta devido a uma nova falha de segurança encontrada. Em qualquer site de tecnologias, era frequente encontrar o termo Heartbleed espalhado um pouco por todo o lado.

O Heartbleed foi um bug encontrado a 7 de Abril que afecta o OpenSSL, algo que 2/3 da internet utiliza para enviar informação de forma segura (mais informação aqui). Apesar de ter sido encontrado recentemente, o bug já existia há mais de 2 anos, o que significa que muitos sites que utilizamos foram afectados.

Sem surpresa, este bug afectou alguns dos gigantes da Internet, tal como os serviços Google, o Facebook ou o Yahoo. Podes consultar aqui a lista de serviços afectados, onde certamente encontrarás alguns que utilizas diariamente.

É sempre bom quando um bug como este nos recorda o quão importante é estar na internet de forma segura. As boas práticas no que toca a passwords ainda parecem um mistério nos dias que correm.

Felizmente, há já ferramentas que nos facilitam (e muito) a tarefa, como é o caso do LastPass.

Há já umas semanas que estava a trabalhar neste artigo e, considerando os mais recentes acontecimentos, faz sentido que este seja divulgado agora. Vamos a isto!

LastPass – “The Last Password You Have to Remember”

Este serviço já é relativamente popular, mas visto que tanta gente continua a utilizar apenas uma password para aceder a todos os seus serviços online, talvez valha a pena lembrar que existem por aí soluções bem mais interessantes.

Segurança na Internet tem muito que se lhe diga. Há vários tipos de pessoas – estes são só alguns exemplos (que este infográfico comprova):

  • aqueles cuja password para tudo é 123456 ou o nome do filho ou do cão;
  • aqueles que estabelecem 2 palavras-passe, uma para os serviços “importantes” (Gmail, Facebook, Twitter) e outra para os serviços menos relevantes;
  • aqueles que decidem que a palavra-passe vai ter o nome do site onde se encontram;
  • aqueles que têm uma password diferente por serviço e anotam num caderno ou num ficheiro no computador;
  • aqueles que criam uma password super segura e que depois a utilizam em qualquer serviço.

Nenhuma solução é ideal. Ninguém quer decorar combinações complicadas de letras para aceder ao e-mail ou passar a vida a fazer copy/paste de um ficheiro sempre que quiser ver o saldo da conta Paypal. Até se podia utilizar text expanders para alterar o nome do site pela password, por exemplo, mas certamente haverá por aí melhores soluções.

O LastPass é uma delas.

Apresentando o LastPass

A premissa do LastPass é simples: instalamos a aplicação, criamos uma conta e a partir daí começamos a dar ao LastPass cada password que utilizamos.

Logo aí, as vantagens são óbvias:

  • podemos escolher uma password diferente para cada site;
  • não precisamos de a apontar em mais lado nenhum.

Depois de loggados, podemos simplesmente aceder à nossa My LastPass Vault para aceder aos vários dados que criámos para cada site. É possível eliminar entradas incorrectas, gerir vários logins para um serviço ou verificar a password que estamos actualmente a utilizar.

O LastPass é compatível com todos os browsers mais populares, como o Chrome, o Firefox, o Opera, o Safari e o Internet Explorer. Suporta Windows, OSX e Linux e também o podemos utilizar no nosso Android ou iOS, sem sequer aderir ao plano premium.

O LastPass na prática

Durante o dia-a-dia, o LastPass apresenta várias funcionalidades que valem a pena conhecer. Vamos começar pela óbvia, mas não ficaremos por aí.

Gravando novas passwords no LastPass

Sempre que entrarmos num serviço utilizando uma password que o LastPass desconhece, ele perguntará se é suposto gravar a palavra-passe depois de se fazer login. Poderemos de imediato fazer Save Site para que de futuro o LastPass faça este trabalho por nós.

Aqui fica um exemplo, gravando o acesso da minha conta do Tumblr.

Adicionar um site LastPass

Também é possível editarmos este campo manualmente ou até inserir novos acessos sem entrar em cada site, acedendo à My LastPass Vault.

O LastPass pode gerar as suas próprias passwords

O programa não se limita a guardar palavras-passe – também as pode gerar. Isso é extremamente interessante considerando que a maior parte das pessoas escolhe palavras-passe curtas (a média são 6 caracteres) e raramente são difíceis de descobrir (como qwerty ou abc123).

Esta é uma excelente funcionalidade quando estamos a subscrever mais um serviço e não fazemos a mínima ideia de qual a palavra passe que devemos inserir.

O LastPass pode fazer esse trabalho por nós, gerando uma password realmente segura, sem qualquer esforço.

LastPass a gerar uma password segura rapidamente

Como se pode testemunhar na animação acima, a password pode ser rapidamente guardada logo a seguir, para nunca mais pensarmos nisso!

O LastPass dá-nos controlo sobre o login em cada site

Há sites que queremos que iniciem automaticamente com o login feito e há outros em que precisamos de escolher qual a conta a ser utilizada. O LastPass dá-nos bastantes possibilidades, como se pode ver na imagem em baixo:

As várias possibilidades de login do LastPass

O LastPass pode preencher formulários

Já muitos browsers fazem isto, mas o Lastpass oferece também esta solução, com o acrescendo de poder guardar os cartões de crédito se assim o desejarmos. No caso de termos várias moradas, por exemplo, o LastPass dá-nos todas as possibilidades de forma inteligente.

LastPass a guardar informação para formulários

O “Security Check” do LastPass

Esta funcionalidade do LastPass pode ser utilizada indo a Tools-> Security Check e fará uma análise da informação armazenada no LastPass Vault. Dará uma nota de 0 a 100 do quão seguro nos encontramos, bem como alguns conselhos para a aumentar.

Recentemente, esta secção foi melhorada com o bug do Heartbleed, pelo que a sua visita é ainda mais essencial.

O LastPass dá para qualquer plataforma

Actualmente passamos umas horas no desktop do trabalho, outras no smartphone e outras no tablet ou no portátil lá de casa. O LastPass é uma solução tremendamente versátil, trabalhando em qualquer browser ou sistema operativo. Até podemos recuperar uma password acedendo simplesmente à opção “Sign In” do site oficial.

Há poucas semanas, o LastPass para Android teve uma actualização importantíssima, permitindo agora que os utilizadores façam login dentro de aplicações recorrendo a esta app, como o vídeo em baixo mostra.

É uma solução flexível e na minha opinião uma solução bem melhor do que ter as passswords numa nota do Evernote ou no Dropbox.

O elefante na sala

Por mais útil que o LastPass possa parecer em teoria, haverão sempre algumas objecções face a este serviço. Estas são 2 que imediatamente me ocorrem:

Então e o LastPass é seguro?

Esta pergunta é curiosa, considerando que as pessoas mais perplexas sobre a segurança deste tipo de serviços são as mesmas que utilizam “123456” como password e dormem descansadas.

Nenhum serviço é inquebrável mas ainda assim, há alguns mais seguros que outros. O LastPass usa encriptação AES de 256 bits e a informação é tratada localmente. Provavelmente ficaste na mesma – mas a resposta curta é sim, é bastante seguro.

Mas a ideia é nem eu saber as minhas próprias passwords?

Um homem sábio uma vez disse que “a melhor password é aquela que nem nós próprios conhecemos”. O LastPass dá-nos essa possibilidade. Se por algum motivo precisarmos de recuperar um acesso e não podermos utilizar o LastPass (algo que nunca me aconteceu), basta utilizar a habitual ferramenta de recuperação de password por e-mail que cada serviço utiliza.

Conclusão

O LastPass é uma excelente solução para quem se inscreve em novos serviços diariamente mas pretende ter passwords distintas (e seguras) para cada um deles. A funcionalidade de gerar novas passwords e preencher o campo são também muito bem recebidas e bem implementadas e esta recente actualização para Android justifica facilmente os $12/ano que pede para mobile.

Em resumo, tornou a minha vida bem mais fácil e certamente também poderá tornar a tua se lhe deres uma hipótese!

Privacidade no Mundo Online

A Privacidade e o Marketing Online

A Privacidade e o Marketing Online 620 350 Bruno Brito

“Quando te custa 0, o produto és tu”

Esta foi uma frase que li há alguns anos atrás e que não esqueci desde então. O impacto da mesma em mim foi tal, que sempre que vou a uma universidade dar uma palestra faço questão de a citar.

Existe outra expressão parecida, por sua vez bem mais popular: “não há almoços grátis”.

Sabemos que há sempre alguma contrapartida quando podemos utilizar um serviço ou uma marca sem ter de pagar algo. O que querem em troca? O nosso tempo? Um favor? O nome de um amigo?

Quando não há absolutamente nada pedido de volta, encaramos a experiência de forma tão estranha e suspeita, que saímos de lá a olhar para trás, à espera de alguma surpresa no último segundo. “Não pode ter sido assim tão fácil”, pensamos.

O engraçado é que no que toca ao Online, a mentalidade já não é essa.

Para a maioria das pessoas, o processo é muito simples:

  1. Conhecem um novo serviço;
  2. Ficam interessadas e inscrevem-se;
  3. Aceitam os Termos e Condições sem pestanejar;
  4. Utilizam o serviço até que este fica tão popular que os media rapidamente comunicam os “riscos de privacidade” que todos corremos;
  5. Consoante a polémica do ponto anterior, um determinado número de pessoas desiste do serviço por sentir a sua privacidade violada (os restantes permanecem).

Acontece com o Facebook. Acontece com o Dropbox. E acontece com o Gmail. Todos eles serviços gratuitos e que utilizamos diariamente.

É engraçado testemunhar o choque de algumas pessoas quando descobrem que o Gmail está, de repente, a colocar publicidade relacionada com o assunto do e-mail que têm aberto. Ou quando reparam que estão a receber vídeos de publicidade no Facebook de produtos relacionados com os seus interesses.

Eles estão a ler o meu e-mail! Eles sabem do que eu gosto! Como se atrevem?

Pode ser coincidência, mas frequentemente verifico que as pessoas mais obcecadas com a sua “privacidade no espaço online” são simultaneamente as pessoas mais descuidadas – aquelas que clicam em qualquer link que recebem de um estranho, que instalam qualquer aplicação sem sequer saberem do que se trata e que escolhem passwords totalmente inseguras.

E a melhor parte? São também essas pessoas que partilham todos os seus pensamentos nas redes sociais, ficando depois em choque quando descobrem que o antigo colega da faculdade está a par de todos os detalhes da sua vida pessoal.

If it's on the internet, it isn't private.

Ainda assim, estas pessoas sentem que não estão no direito de ser enganadas por qualquer site da Internet, por mais suspeito que o mesmo pareça.

Como é que chegámos até aqui? Aqui fica uma breve explicação.

A emergência das start-ups

Todos os dias, jovens empreendedores encontram uma lacuna no mercado: algo que sentem que faz sentido existir mas que ainda ninguém conseguiu implementar com sucesso.

É assim que nasce um novo serviço online, muitas vezes de nicho (como uma rede social para partilhar… segredos).

A estratégia para a monetização destas empresas é simples: criar uma userbase suficientemente dinâmica e populosa para atrair os investidores, para que possam obter mais fundos e crescer ainda mais.

O problema

A dada altura, esses mesmos senhores vão querer resultados, ou seja, retorno. E muitas vezes, essas tais plataformas excitantes e gratuitas terão de pedir algo em troca aos seus utilizadores: geralmente, para manter o custo zero para o utilizador final, optam por aceder à informação que estes lá foram adicionando.

A cada fotografia que colocamos no Facebook, a cada vídeo que fazemos upload para o YouTube, a cada música no Soundcloud, mais um disco rígido fica cheio e mais um tem de ser comprado – um custo. Quanto mais pessoas visitam o YouTube, maior a largura de banda necessária para vermos os vídeos sem paragens – outro custo. Naturalmente, para que estes serviços continuem gratuitos, algo teremos que dar em troca.

Certamente serviços como o Facebook, o YouTube ou o Gmail seriam bem menos apelativos se tivéssemos de pagar 10 dólares por mês para os utilizar. O que faria a maioria? Mudaria de serviço, passando para algo grátis novamente – até ao dia em que esse serviço chega também ele ao seu limite e se torna o próximo a pedir algo em troca.

A solução

Encontrou-se uma solução, a meu ver bastante plausível para isto: nós utilizamos estes serviços e partilhamos os nossos hábitos de consumo. Em troca, recebemos publicidade vinda de marcas e entidades que desejam explorar esses mesmos hábitos.

Esta decisão faz sentido para as marcas, claro: podem comunicar de forma bem mais pertinente. Afinal de contas, não faz muito sentido gastar dinheiro a apresentar um clube de fãs do Sporting a quem fez like à página oficial do Benfica, por exemplo.

Mas…

Nem todos os utilizadores estão interessados nesta troca. Não querem o assédio, dizem. Para esses, tenho alguns conselhos:

  • Leiam os termos e condições do princípio ao fim antes de clicar em sign-up;
  • Não utilizem serviços de e-mail que procuram monetizar com publicidade, como o Gmail;
  • Não coloquem fotos no Instagram – aprendam HTML ou WordPress, comprem um domínio e um hosting e alojem lá as vossas fotografias;
  • Não coloquem vídeos no YouTube – façam o mesmo que para as fotos;
  • Não façam like a nenhuma marca no Facebook;
  • Paguem pelos serviços que necessitam, aqueles que prometem que não vão explorar a informação que lá é depositada, em vez de utilizarem as soluções gratuitas e mainstream.

Difícil de acontecer, certo?

Estes conselhos são praticamente impossíveis de seguir para a esmagadora maioria das pessoas. Ninguém quer descobrir como se compra um domínio ou como funciona o WordPress. A Internet deixaria de ser um local tão divertido para muitos e bem mais caro ao final do mês. Passaria tudo a ser bem mais técnico e complicado – como era há 10 anos atrás, convenhamos.

Parece fazer sentido deixar tudo como está. Sendo assim, só falta esclarecer uma questão:

Temos assim tanto a esconder?

Enquanto utilizador, não tenho qualquer problema que o Facebook me pergunte se quero fazer like a um lutador de Wrestling por ser fã da WWE. Não me importo que o YouTube me recomende um vídeo do Ultra Music Festival por ter visto outros 300 vídeos de música electrónica no último mês. E não me importo que o Gmail me alerte de que há um serviço relacionado com o tópico que estou a discutir no e-mail que tenho aberto.

Na verdade, essas sugestões até são bem-vindas, porque tomo conhecimento de algumas coisas bem interessantes que de outra forma me passariam ao lado.

Sou profissional de Marketing, mas, primeiro, sou um consumidor. E enquanto consumidor, aceito esta transacção: os serviços permanecem gratuitos e eu digo-lhes o que gosto e o que não me interessa… as marcas irão depois bater-me à porta.

Se me sinto perseguido? Não. Nem sou assim tão especial… sou apenas um de 7 biliões.

Fotografia:

Se quiser entrar em contacto comigo, pode enviar-me um e-mail para [email protected] ou preencher o formulário abaixo.

NOTA: Todos os campos são de preenchimento obrigatório.